A Universidade do Vale do Taquari (Univates), consorciada do STHEM Brasil, durante as enchentes que assolaram o estado do Rio Grande do Sul, criou vários projetos para ajudar os moradores que perderam tudo, como o Cozinha Solidária, que já foi divulgado no site do consórcio. Outro projeto solidário da IES é “Uma Casa por Dia”, que tem por objetivo construir casas mais em conta em um tempo recorde para moradores que perderam suas moradias.

O projeto teve início com o professor Cristiano Pereira, coordenador do Curso de Arquitetura, juntamente com o apoio de Jamile Weizenmann e Guilherme Osterkamp, responsáveis pelo Escritório Modelo da Arquitetura (laboratório onde são desenvolvidos os projetos de arquitetura da universidade).

“Quando o nível das águas começou a subir muito rápido, no início de maio, uma funcionária do Escritório Modelo de Arquitetura compartilhou conosco a ideia de divulgar Mapas que mostram para as pessoas, por meio de gráficos pintados, a cota de inundação de cada quadra. Nós marcávamos em cima do Mapa inteiro de Lajeado. A cota 28 era a nossa referência, o rio fica na cota 16, então já era 12 metros acima da cota normal. Essa era uma cota conhecida, só que o rio começou a subir para 29 e começamos a compartilhar o Mapa pintado onde as cotas iam alcançar. Só que nós estávamos fazendo tudo em meio ao caos, alguns perdendo sinal de internet, outros ficando sem energia elétrica. No entanto, conseguimos fazer dois Mapas até a cota 30 e depois, como ficamos sem internet, conversarmos por whatsapp e um dos laboratoristas nosso, o Welington Lázaro, fez outros Mapas, o 31, 32 e as rádios começaram a compartilhar os nossos Mapas. Nós acreditamos que com esses Mapas muitas pessoas saíram de suas casas e viram que aquela marca delineada no Mapa era quando a água chegaria em suas residências. Não era uma informação numérica, a cota 33, por exemplo, era bem gráfico, ou seja, a pessoa via quando a água ia chegar na quadra onde estava a casa do morador”, explica Cristiano Pereira.

Segundo o educador, “as pessoas não saíram apenas de suas casas, mas conseguiram retirar bens materiais e até bens de valor sentimental”. Depois da ideia dar certo, alguns integrantes do Curso de Arquitetura que eram de Lajeado voltaram para o Campus e começaram a trabalhar ideias no Escritório Modelo para construção de casas de forma rápida. “Convocamos egressos, estudantes, professores, todos para ajudar, e isso foi uma demanda que veio a partir da Agência de Desenvolvimento e Inovação Local (AGIL), uma entidade do município e da região, cujo diretor-executivo, Tiago Guerra, nos provocou essa demanda e começamos a montar os protótipos”, conta Cristiano Pereira.

Nesse meio tempo, segundo o educador, “muitos empresários, que fazem construção utilizando isopor, madeira, concreto, PVC, foram compartilhando os protótipos e a Univates ficou como uma base técnica orientando sobre os melhores materiais para serem usados na construção das casas, com qual infraestrutura e se caberia no orçamento, e dando embasamento mais técnico para que pudessem desenvolver casas em uma velocidade maior”.

Paralelo a isso, Cristiano Pereira conta que se formou um grupo para arrecadação de fundos para construir as casas. “A partir da AGIL, com a promotoria, a Univates, a Casa Civil do estado, a reitoria e o presidente da Fundação criou-se um grupo com o objetivo de angariar recursos financeiros para as construções e a equipe do Curso de Arquitetura ficou dando suporte técnico ao grupo enquanto era estruturado para receber os fundos”.

Com os protótipos prontos, a equipe do Curso de Arquitetura da Univates foi além, orientando a Prefeitura de Lajeado e outras das regiões alagadas, quais os terrenos mais propícios para construção das casas. “Alguns terrenos sinalizávamos que era possível construir cinco casas, outros terrenos orientávamos para não construir mesmo cabendo 20 moradias porque ficavam muito distantes dos equipamentos urbanos. Passamos da fase de pensar só na casa, e avançamos nas questões do urbanismo. Apoiamos as secretarias de desenvolvimento das prefeituras locais porque os técnicos estavam envolvidos em situações de emergência. Nesse momento estamos dando esse suporte e o projeto Uma Casa por Dia está caminhando, ainda na fase de captar recursos e contratar um consultor que vai entrar em contato com as Prefeituras para selecionar os terrenos e executar a construção das casas”, conclui.