Projeto “Entre a predição e o governo: arquitetura institucional da inteligência artificial para retenção estudantil no ensino superior privado”, do professor, Vinícius Costa Fagundes (UNIFESP)

Os projetos “Entre a predição e o governo: arquitetura institucional da inteligência artificial para retenção estudantil no ensino superior privado”, do professor administrador e doutorando em inovação tecnológica, Vinícius Costa Fagundes (UNIFESP), e “Telemedicina na graduação: uma abordagem prática no ensino de habilidades e atitudes médicas”, da professora Thaciana Pereira Rodrigues, foram contemplados com menção honrosa durante o XII Fórum de Inovação Acadêmica do Consórcio STHEM. Ambos os projetos foram artigos completos sobre estratégias ativas de aprendizagem.

Segundo o professor Vinícius Costa Fagundes, “O projeto nasceu de uma inquietação muito presente na realidade das instituições de ensino superior: a evasão estudantil. A evasão, muitas vezes, aparece nos relatórios como número, percentual ou indicador de gestão. Mas, por trás de cada evasão, existem histórias. Foi a partir dessa compreensão, de cada história diferente uma da outra, que buscamos olhar para a inteligência artificial não apenas como uma tecnologia capaz de prever riscos, mas como uma possibilidade de antecipar cuidado. A questão é que esses dados produzidos pelas IES, quando bem utilizados, podem ajudar a instituição a perceber antes aquilo que, muitas vezes, só aparece quando já é tarde. Então nos questionamos sob quais condições uma instituição pode usar essa previsão de maneira ética, legítima e responsável e, a partir dessa pergunta, propusemos uma arquitetura institucional de análise preditiva ética para retenção estudantil. Essa arquitetura busca integrar três dimensões: governança de dados, modelos analíticos interpretáveis e intervenção humana supervisionada. A inteligência artificial pode apontar sinais, mas o cuidado com o estudante continua sendo uma tarefa profundamente humana”.

O principal resultado do projeto para Fagundes “foi a arquitetura organizada em três camadas: governança de dados que trata da finalidade do uso das informações, da rastreabilidade dos dados, da proteção contra usos indevidos e da definição de critérios institucionais claros. A segunda camada é o pipeline analítico interpretável que envolve a coleta, a organização, a modelagem e a explicação dos dados. A instituição precisa compreender minimamente por que determinado estudante foi identificado como alguém em situação de risco. Sem explicabilidade, a predição perde legitimidade. E a terceira camada é a intervenção institucional supervisionada. A previsão feita pela inteligência artificial não deve gerar uma decisão automática e, sim, gerar atenção e acionar uma análise humana, mobilizando coordenações, equipes acadêmicas, setores de apoio, atendimento, financeiro e demais áreas envolvidas na permanência estudantil. O algoritmo deve ajudar a instituição a perceber que aquele estudante talvez precise ser escutado antes de desistir. Por isso, o projeto desloca o foco da simples performance algorítmica para uma arquitetura sociotécnica de cuidado.

Por fim, Fagundes falou sobre a importância do Consórcio STHEM nesse processo. “Mais do que um espaço de apresentação de trabalhos, o Fórum se mostrou um ambiente de escuta, troca e amadurecimento de ideias sobre inovação acadêmica. Participar desse movimento nos ajudou a olhar para a inovação não apenas como adoção de novas tecnologias, mas como transformação da forma de pensar, ensinar, gerir e cuidar”.

A professora Thaciana Pereira Rodrigues (Grupo Afya) conta que o projeto Telemedicina na graduação: uma abordagem prática no ensino de habilidades e atitudes médicas, surgiu da necessidade de aproximar a formação médica das transformações que vêm ocorrendo na assistência em saúde, especialmente com a crescente utilização da telessaúde. “Desenvolvemos uma metodologia ativa voltada para estudantes do segundo período de Medicina, utilizando uma simulação de teleatendimento em que os alunos orientavam um paciente sobre a realização da glicemia capilar e os cuidados relacionados ao pré-diabetes, por meio de videochamada”.

Segundo Thaciana, “A proposta foi além do ensino de uma habilidade técnica. Os estudantes precisaram desenvolver competências essenciais para a prática médica contemporânea, como comunicação clara, escuta ativa, empatia, educação em saúde e adaptação da linguagem para um ambiente remoto. Durante o desenvolvimento da atividade, observamos um elevado engajamento dos alunos, que relataram ser a primeira experiência prática com telemedicina na graduação. Também foi muito enriquecedor perceber como a troca de papéis entre médico, paciente e acompanhante favoreceu uma compreensão mais humanizada do cuidado e estimulou reflexões sobre os desafios e as potencialidades do atendimento à distância”.

Os resultados para Thaciana “foram bastante positivos e reforçaram o potencial da metodologia proposta. Observamos que a simulação proporcionou maior segurança aos estudantes para atuar em situações de teleatendimento, além de favorecer o desenvolvimento de competências comunicacionais, éticas e técnicas fundamentais para a prática médica”.

Receber a menção honrosa representa, para Thaciana, “muito além de um reconhecimento do trabalho desenvolvido, a confirmação de que investir na formação docente e na inovação pedagógica gera impactos concretos na qualidade da educação médica. Essa conquista também reforça a importância do Consórcio STHEM como um agente impulsionador de mudanças positivas no ensino superior, incentivando professores a criarem experiências de aprendizagem cada vez mais relevantes, criativas e alinhadas às necessidades da sociedade”.