Seis trabalhos na área de Ciências Sociais receberam menção honrosa durante o X Fórum de Inovação Acadêmica do Consórcio STHEM Brasil. Dois desses reconhecimentos foram concedidos para artigos, sendo um para ações junto à comunidade (curricularização da extensão) e outro para gestão (planejamento estratégico). Dois outros para relatos de experiências, um de ações junto à comunidade (prestação de serviços) e outro de gestão (estratégias inovadoras). E mais dois para resumos, um sobre estratégias ativas de aprendizagem (avaliação da aprendizagem) e outro sobre gestão (sustentabilidade das IES).
O artigo “Integrando extensão em cursos digitais de gestão e negócios: estratégias e experiências”, apresentado pelo professor e coordenador de cursos na modalidade digital na Escola de Gestão e Negócios do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), Koffi Djima Amouzou, foca em otimizar a implementação de projetos de extensão em cursos digitais da instituição, oferecendo estratégias práticas para enfrentar os desafios de um contexto educacional dinâmico.

“Durante o desenvolvimento deste projeto, exploramos diversas metodologias inovadoras, como Problem Based Learning (PBL) e Design Thinking, para energizar as oficinas de orientação e efetivamente conectar teoria e prática. Essas abordagens não só revitalizaram o processo de ensino-aprendizagem, mas também facilitaram a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, tornando o aprendizado mais interativo e impactante”, contou Amouzou.
O projeto também enfatizou a importância de ferramentas de avaliação para documentar o impacto social dos projetos de extensão, destacando uma abordagem holística que equilibra as necessidades acadêmicas com as demandas comunitárias. “Isso permitiu uma avaliação contínua dos resultados e ajustes necessários para maximizar o benefício para os alunos e a comunidade”, acrescentou o educador.
Amouzou finalizou dizendo que o Consórcio STHEM Brasil tem sido essencial para aprimorar suas habilidades como educador e gestor educacional, desempenhando um papel decisivo no sucesso do projeto. “Com sua abordagem colaborativa e inovadora, o Consórcio me proporciona acesso a métodos de ensino avançados e práticas pedagógicas contemporâneas, fundamentais para a criação de um ambiente acadêmico dinâmico e adaptável, e ainda fomenta uma rede de colaboração entre instituições de ensino superior, facilitando uma troca rica de experiências e conhecimentos. Isso me auxiliou a desenvolver soluções inovadoras e adaptadas às nossas necessidades, culminando em uma implementação mais eficaz de nossos projetos de extensão”.
Já o artigo “Competências e habilidades para uma gestão acadêmica alinhada às demandas do presente”, apresentado pela docente Talyta Resende de Oliveira, da FMIT, com a colaboração das docentes Adriene J. Pereira, Carla M. Ruedell, Cristiane Resende e Kelly A. Torres, é fruto de um processo colaborativo entre gestoras de instituições de ensino superior pertencentes ao grupo educacional Afya.

“Somos um grupo misto que rotineiramente dialoga e compartilha reflexões sobre as competências e habilidades necessárias para uma gestão eficaz. O artigo representou uma oportunidade rica para refletir sobre nossas experiências pessoais em conjunto com a literatura especializada na área. A rápida transformação na gestão e na educação, impulsionada pela pandemia e pela adoção de novas tecnologias educacionais, apresentou desafios inéditos, como a adaptação tecnológica, melhor gerenciamento de recursos financeiros e aprimoramento da experiência do aluno, em um contexto de crescentes desafios. Além disso, a literatura nos mostrou que habilidades como a mediação de conflitos, motivação da equipe, entendimento das questões legais e flexibilidade para lidar com múltiplas demandas não são novidade, mas seguem sendo parte de nosso cotidiano. Este diálogo constante nos impulsiona a nos tornarmos gestoras mais preparadas e a capacitarmos os líderes que trabalham conosco em todos os níveis”, disse Talyta de Oliveira.
Para ela, essa capacitação não seria possível sem a ajuda do STHEM Brasil. “O Consórcio representa uma fonte de grande valor para nossas instituições. Anualmente, incentivamos nossos docentes a participarem deste Fórum, seja como ouvintes, seja como apresentadores de trabalhos. Acreditamos firmemente que a formação contínua, aliada ao compartilhamento de experiências, enriquece significativamente nossa prática profissional. Gostaria de destacar a importância, para nós gestoras, da existência de uma área temática dedicada à gestão dentro do evento. Os temas abordados são fundamentais para nossa constante formação e para a aquisição ou fortalecimento de competências e habilidades essenciais para nossa prática”, afirmou a docente.
A docente Cristiane Canton fala sobre o relato de experiência do projeto “Empresas para psicólogos”, que buscou apresentar o processo contábil necessário para a abertura de empresa na área da Psicologia na UNIDEP de Pato Branco (PR) e que foi desenvolvido com a cooperação dos docentes Teresa Raquel Conte Demarco, Alaxendro Dal Piva e Andreia Smirdele. “Os cursos de Ciências Contábeis e Psicologia da instituição uniram-se em uma atividade interdisciplinar. Como uma ação extensionista do Núcleo de Práticas Contábeis (NPC), eu ministrei um curso de curta duração com o tema ‘CNPJ para Psicólogos’, voltado aos formandos do curso de Psicologia. Esse curso aconteceu por meio da disciplina de Tópicos Integradores, que é uma disciplina já incluída na grade curricular, onde foram compartilhadas informações tributárias, orientações sobre pagamentos de impostos no exercício da profissão, bem como sobre as diferenças entre Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), profissional liberal e Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e os resultados foram perceptíveis nos alunos pelo interesse mostrado no assunto e pelos feedbacks recebidos por meio da avaliação de reação”, relatou a agraciada.

De acordo com Canton, “o STHEM Brasil é uma grande oportunidade para os educadores participarem e apresentarem, juntos, com todos os trabalhos publicados no Fórum, e é também uma grande honra ter esse reconhecimento do trabalho apresentado, sabendo que estas atividades impulsionam novas ideias para todas as IES participantes”.
O professor Carlos Henrique dos Santos, da UNIDEP, Grupo Afya, comemora o prêmio e conta o relato de experiência na área de Gestão: “Impacto das estratégias inovadoras sobre retenção, evasão e aprendizagem”. “A iniciativa para essa atividade surgiu com o intuito de aumentar a captação de novos acadêmicos para o primeiro período de 2024, dando sequência ao projeto #1aulapordia, e teve como objetivo divulgar o dia a dia dos cursos ofertados pelo UNIDEP por meio de aulas encantadoras ministradas pelos docentes. Os grupos avaliaram que a dinâmica poderia ser muito útil no trabalho realizado diariamente por todos, seja na vida pessoal, profissional ou acadêmica. Também observaram e avaliaram os pontos positivos e negativos da atividade. Outra característica percebida dentro dos grupos, foi a identificação de lideranças, quem questionou mais, quem colocou dificuldade na execução, como cada integrante se comportou entre outras”, descreveu o docente.

Para ele, as ações do consórcio “são de suma importância para toda comunidade acadêmica. Sem essa oportunidade a minha ideia não teria um impacto tão grande na vida de outros profissionais, pois ficaria restrita somente à minha aula. A visibilidade proporcionada pelo STHEM Brasil é extremamente benéfica para os professores, pois é uma janela aberta onde as melhores práticas podem ser compartilhadas”, afirmou.
O resumo “Cola Legalizada: uma estratégia para a aprendizagem”, do Cesupa, apresentado pela professora Tatiana Maira Thomaz Araújo em parceria com as docentes Ana Carolina Aleixo de Souza, Daniela Pinheiro Gaspar e Tereza Cristina Ribeiro Anaisse Cruz, permite que o aluno leve um material de consulta no dia da prova. “Mas para que ele consiga produzir a sua cola, ele precisa estudar e resumir todo o conteúdo da prova, ou seja, torna-se uma ferramenta de revisão e fixação de conteúdo”, afirmou Tatiana Araújo.

Para a docente, “a estratégia de aprendizagem foi amplamente aceita e replicada em nossa instituição devido aos excelentes resultados obtidos. A implementação dessa estratégia resultou na diminuição do estresse e ansiedade durante as provas, permitindo que os alunos se sentissem mais confiantes e apresentassem melhores desempenhos. Alguns alunos relataram que a confecção da Cola Legalizada foi tão eficaz para a fixação dos conteúdos que nem precisaram recorrer ao material durante as provas, pois lembravam do que tinham escrito”.
E todo o trabalho só foi possível “através da formação presencial do STHEM Brasil, em agosto de 2022, quando aprendemos essa estratégia com outro professor em São Paulo, o que torna muito clara a importância do consórcio para impulsionar inovações no ensino superior”, conclui Tatiana Araújo.
“De cidade do lixão às pequenas lixeiras: um esforço de escolas públicas para minimizar o problema do lixo” foi o resumo apresentado pelas docentes Renata Barreto Villaça e Márcia de Melo Dórea, da Unigranrio, de Duque de Caxias.

“Nosso projeto de educação ambiental surgiu a partir das observações na atual situação do nosso bairro e cidade em relação ao descarte de resíduos sólidos. Um fato em particular chamou nossa atenção: um responsável levando nossas sacolas de lixo para casa. Perguntei: por que ele fazia isso e ele disse que era para separar o que poderia ser vendido. Isso nos impulsionou ao debate da situação da nossa cidade e do nosso papel enquanto escola nesse panorama. Lançar um breve olhar na atual questão do descarte de resíduos sólidos em algumas localidades da cidade, que abrigou por décadas o maior lixão da América Latina, o do Jardim Gramacho, uma área que recebeu cerca de 80 milhões de toneladas de lixo por cerca de 34 anos, onde mais de 1.700 homens e mulheres disputavam a descoberta dos melhores e mais rentáveis resíduos”, rememora Renata Villaça, relatando que “em nosso trabalho observamos o número expressivo de catadores que perambulam em nossa cidade. São os órfãos do lixão, que não foram inseridos no mercado de trabalho e precisam continuar vendendo resíduos para sobreviverem. Hoje, esse trabalho é considerado mais árduo, pois eles percorrem quilômetros, remexendo as sacolas colocadas nas ruas, rasgando e separando o que tem valor de venda”.
A docente destaca que uma das ações elencadas no projeto “foi a separação dos resíduos sólidos em nossa unidade escolar, ou seja, promover entre nossos alunos e nossa comunidade escolar a cultura da reciclagem, o que gera um facilitador do processo de sensibilização, conscientização e educação ambiental a fim de que, além de cobranças de ações ao Poder Público, haja também um movimento nos lares de separação correta dos materiais”. Segundo ela, “o papel da escola como agente de transformação é muito relevante, instruindo e capacitando seus alunos nas questões socioambientais e dissipando a concepção de lixo como uma coisa inservível e reconhecendo o resíduo sólido como reutilizável e reciclável, bem como de valor econômico e social, pois pode gerar trabalho e renda e promover a cidadania”.
Os principais resultados do projeto, segundo a educadora, estão visíveis na rotina da escola e da comunidade escolar. “Um dos mais relevantes foi a diminuição de cerca de 70% do lixo que era descartado. Isso fortaleceu a importância de um novo olhar, pois era preciso uma consciência socioambiental que visasse tanto a diminuição quanto a separação e organização desses resíduos sólidos. Hoje, temos funcionários, ex-alunos e responsáveis que recolhem em nossa escola esse material separado para complementar renda” ela diz.
Para Renata Villaça, projetos como os do lixão em Duque de Caxias são viáveis graças à capacitação que os professores fazem no consórcio STHEM Brasil. “É um espaço de visibilidade para a divulgação de projetos que acontecem nas escolas e de suma importância para a pesquisa acadêmica, pois fortalecem nosso trabalho e destacam a importância de os educadores seguirem com ações que vão além dos muros da escola. Educar para vida em sociedade, precisa passar do discurso para a prática a fim de não incorrermos no erro de praticarmos uma educação incoerente e desprovida de sentido”, finaliza.







