XI Fórum Internacional de Inovação Acadêmica

Os resumos expandidos das instituições Faculdade de Ciências Médicas de Cruzeiro do Sul (Afya), FAHESP, FESAR, ITPAC’s Itacoatiara, Palmas e Porto, CESUPA, IESVAP, Centro Universitário São Lucas, UNIDOMPEDRO e UNIGRANRIO receberam menções honrosas pela inovação nos temas propostos em suas apresentações no XI Fórum Internacional de Inovação Acadêmica do Consórcio STHEM.

Ações junto à comunidade

“HPV, um momento de sensibilização de jovens em uma escola estadual rural Visconde do Rio Branco”, trabalho estruturado pelo professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Cruzeiro do Sul, Gerson Maciel Coelho, foi até a comunidade Olivença, no interior de Cruzeiro do Sul, no Acre, com alunos dos cursos de Medicina. para levar a estudantes do ensino fundamental e médio informações sobre HPV e ISTs.

“O tema HPV veio ao encontro da necessidade de uma demanda urgente do diretor da escola e da comunidade estudantil. Estruturei uma metodologia acessível para alcançar o maior número de alunos do 5º período de Medicina, e subimos o rio Juruá de barco.  Chegando à escola tivemos disponíveis 10 salas de aula cheias de alunos do ensino fundamental II e médio para trabalhar o tema infecções sexuais transmissíveis (ISTs). É que nessa escola tinham ocorrido recentemente dois casos de estupro com gravidez precoce. Só que os relatos do diretor nos mostraram que havia dificuldade de trabalhar a iniciação sexual precoce entre os adolescentes, o que impulsionou ainda mais nossos alunos a levar aos jovens o conhecimento sobre as ISTs”, conta Coelho.

Segundo o docente os resultados foram satisfatórios: “Nossos alunos puderam ouvir relatos mais íntimos dos estudantes, que contaram ter tido ISTs, e que por falta de conhecimento não souberam tratar ou buscar ajuda correta”. Para Gerson “a capacitação proporcionada pelo Consórcio STHEM foi fundamental nesse trabalho para impulsionar ações na comunidade e gerar feedback para a sociedade”.

“Abordagem da tuberculose e saúde indígena na comunidade Kayapó” foi apresentado pelo professor Diôgo Amaral Barbosa (Foto), em coautoria com as docentes Nadia Mendes Albuquerque e Regina Barbosa. “O projeto foi desenvolvido no âmbito da disciplina de Integração Ensino-Serviço-Comunidade (IESC) do curso de Medicina da Faculdade de Ensino Superior da Amazônia (FESAR), e consistiu em uma atividade educativa imersiva realizada com estudantes na comunidade indígena no sul do Pará. Durante duas semanas os alunos vivenciaram de forma direta a realidade da saúde indígena, abordando temas como tuberculose e a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas”, conta Barbosa.

Para ele, a experiência foi profundamente enriquecedora e os resultados, positivos: “O contato direto com os indígenas, a troca de saberes e o uso de recursos lúdicos para educação em saúde proporcionaram um aprendizado único, humano e transformador”. Barbosa acrescentou também que “ser contemplado com a menção honrosa por essa iniciativa representa o reconhecimento de um projeto que valoriza o protagonismo estudantil, a extensão universitária e o compromisso social”.

“Medicina de família e comunidade: percepções dos alunos e a influência na formação e relevância da especialidade”, do professor Daniel Carvalho Virgínio, em coautoria com Eline das Flores Victer e Ana Lídia Santos de Oliveira, foi uma pesquisa de mestrado desenvolvida na Universidade UNIGRANRIO. “O estudo encontra-se em curso, a partir de um fato observado e constatado em diversas demografias médicas, sobre por que tão poucos estudantes escolhem seguir a especialidade de Medicina de Família e Comunidade (MFC), mesmo sendo ela a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS)”, conta Virgínio.

Segundo o docente, “durante o desenvolvimento do trabalho se buscou compreender as percepções, especialmente dos alunos que estão nos últimos períodos da graduação, e ao longo desse percurso ficou evidente o quanto ainda persiste uma visão distorcida sobre a atuação na atenção primária, muitas vezes desvalorizada em relação às especialidades hospitalares”. Virgínio reforçou a importância do Consórcio STHEM nesse processo. “Receber menção honrosa no XI Fórum foi mais do que um reconhecimento pessoal, mas a importância de discutirmos, de forma séria e comprometida, a formação médica”.

“Promoção de envelhecimento saudável entre mulheres com 50 anos ou mais em ambiente corporativo”, da professora Renata Aparecida Miyabara em coautoria com Luciana Ap. Campos Baltatu, Mylenna Leal Mendes, Ovidiu Constantin Baltatu e Yasmim Lívia Paixão Magalhães, teve como objetivo incentivar práticas que promovam a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dessas mulheres no contexto do ambiente de trabalho, reconhecendo a importância de um envelhecimento ativo e saudável. “Durante o desenvolvimento da pesquisa bibliográfica, tivemos a oportunidade de aprofundar nossos conhecimentos sobre os fatores que influenciam o envelhecimento saudável, bem como as estratégias eficazes para promover a qualidade de vida nessa faixa etária”, contou Renata.

Segundo a educadora, “a pesquisa está em andamento, mas os resultados esperados para o projeto incluem o fortalecimento do bem-estar físico e emocional dos participantes, a adoção de hábitos mais saudáveis, como alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, além de uma maior conscientização sobre a importância do autocuidado na terceira idade”. E tudo isso foi possível graças as capacitações do STHEM. “Ser um dos contemplados com a menção honrosa pelo projeto destaca a relevância e a qualidade do trabalho realizado, além de valorizar a inovação e o impacto social das ações desenvolvidas. Essa distinção também amplia a visibilidade do projeto, possibilitando que ele sirva de exemplo e inspiração para outras iniciativas semelhantes, além de fortalecer a reforço e o alcance das ações externas ao envelhecimento saudável”, conclui.

Estratégias Ativas de Aprendizagem

“Impacto das desigualdades socioeconômicas e climáticas na prevalência de doenças infecciosas: um estudo sobre tuberculose e Covid-19 no Amazonas”, trabalho desenvolvido pelo professor Matheus Marques de Oliveira, em coautoria com Nilo Boschilia e Obi Jucá Diniz Neto, do ITPAC Itacoatiara, teve como foco principal a análise dos padrões de incidência e mortalidade por tuberculose no município de Itacoatiara, no Amazonas, levando em conta fatores como densidade populacional, sazonalidade climática e o impacto da pandemia da Covid-19. “Por meio da coleta de dados secundários do DataSUS e do IBGE, além de uma revisão bibliográfica robusta, foi possível compreender como elementos socioeconômicos e ambientais interferem diretamente na propagação da doença. A experiência foi enriquecedora, pois exigiu a articulação entre análise de dados epidemiológicos e compreensão das dinâmicas sociais e climáticas locais”, explica Oliveira.

Como resultados, segundo Oliveira, “o estudo apontou que a tuberculose em Itacoatiara-AM é fortemente influenciada pela densidade populacional, pelas variações climáticas sazonais — com maior incidência nos meses chuvosos — e pelos efeitos da Covid-19, que afetaram o diagnóstico e tratamento”. Para Oliveira, “ser contemplado com a menção honrosa representa o reconhecimento de um trabalho comprometido com a realidade local e fundamentado em evidências científicas, mas também o impacto da formação oferecida pelo STHEM na construção de uma prática acadêmica responsável e transformadora”.

“A utilização da simulação como parte do processo discente em ambiente de aprendizagem em pequenos grupos”, da professora Ana Rachel Oliveira de Andrade, em coautoria com José Lopes Pereira Júnior, Antonio de Pádua Rocha Nóbrega Neto, Ayane Araujo Rodrigues e Mateus Sena Lira, da Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e da Saúde do Piauí (FAHESP), foi baseado na ideia de um acadêmico.  “Após a simulação do acadêmico a um subgrupo de pessoas, outras foram realizadas e foi perceptível que os demais subgrupos em sala foram estimulados. O rendimento de todos foi muito maior, tanto como resultado quantitativo das avaliações quanto na avaliação diária da sessão tutorial”, conta a docente.

Como resultado, Ana Rachel descreve que “pode-se perceber que a simulação em ambiente fechado de tutoria proporciona maior consolidação do conteúdo e segurança para as atividades nos módulos que curam com o SOI (Sistemas Orgânicos Integrados) como habilidades médicas e vivência nas UBSs e melhor resultado nas avaliações”. E tudo isso foi possível graças à formação que a educadora fez no STHEM, “que me estimula a ter um olhar muito mais abrangente para as práticas discentes”.

“Apoio pedagógico ao estudante de nível superior – UNIDOMPEDRO – Unidade Patamares”, da professora Josinete Cardoso Leal, em coautoria com Diego Souza Bezerra e Luzia Barreto Barbosa, surgiu da necessidade de compreender e fortalecer as estratégias institucionais voltadas à permanência e ao sucesso acadêmico dos estudantes. “Ao longo do desenvolvimento realizamos uma sólida revisão bibliográfica e analisamos práticas institucionais, a partir de relatos de docentes da UNIDOMPEDRO. A experiência foi muito enriquecedora, pois possibilitou identificar os desafios reais vivenciados no contexto acadêmico, além de abrir espaço para refletirmos sobre a importância de ações como tutoria, mentoria e oficinas de desenvolvimento acadêmico”, conta Josinete. A educadora diz também que “o projeto teve como resultados a sistematização de modalidades de apoio eficazes, a proposta de ampliação de estratégias inclusivas dentro da instituição e a identificar pontos críticos que precisam ser superados, como a baixa adesão de alunos a essas iniciativas e a necessidade de qualificação contínua dos tutores”.

“Guerra das DTAS: uma estratégia gamificada para o aprendizado de doenças transmitidas por alimentos”, da professora Daniela Pinheiro Gaspar, do CESUPA, surgiu como forma de tornar o ensino da disciplina Higiene e Controle de Qualidade de Alimentos mais dinâmico e engajador para os alunos do 3º período de Nutrição. “Guerra das DTAs é um jogo didático inspirado no clássico War®, adaptado para ensinar DTAs de forma lúdica e estratégica. Um dos incentivos mais eficazes foi oferecer à equipe vencedora o direito de fazer a prova com ‘cola legalizada’, uma estratégia que aprendi com um professor durante a capacitação do STHEM em 2022 e que aumentou significativamente a motivação dos alunos”, conta Daniela. Segundo a educadora, “o feedback mais gratificante veio ao perceber como o jogo facilitou a compreensão de temas complexos e estimulou o trabalho em equipe. A aplicação do jogo teve resultados quantitativos e qualitativos muito positivos: 83% dos alunos avaliaram com nota máxima (5) a contribuição do jogo para o entendimento das DTAs; 72% deram nota 5 para o engajamento e a diversão durante a atividade e 100% recomendariam o jogo para outras turmas”.

Gestão e Internacionalização

“Recolhimento de produtividade científica”, do professor Jordan Pinto Guimarães, em coautoria com Matheus Martins Daude e Micaele Rodrigues de Souza, do Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos Porto (ITPAC Porto Nacional), lançou no início de 2024 um desafio para aumentar a meta de internacionalização em 126% em relação ao ano anterior. “Para alcançar esse objetivo ambicioso, nós, da Coordenação de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão, Inovação e Internacionalização (COPPEXII), implementamos diversas estratégias, entre elas a criação de um edital de premiação docente que visa reconhecer professores que se destacaram por suas contribuições em publicações de relevância nacional e internacional ao longo de 2024, fortalecendo assim a cultura de pesquisa e publicação acadêmica no ambiente universitário e contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico”, explica Matheus Daude.

Segundo o educador, “os resultados obtidos foram a eficácia das estratégias empregadas pela COPPEXII para fomentar a produção científica de alta qualidade, a valorização das publicações em periódicos de alto impacto, que contribuiu para o fortalecimento da cultura de pesquisa e inovação no ITPAC Porto Nacional, além de conseguirmos realizar 17% a mais que a meta estabelecida”. Para ele, “a participação no Consórcio STHEM teve um papel fundamental na capacitação e desenvolvimento das competências de nossos docentes, o que levou à menção honrosa e fortaleceu nossas habilidades gestoras, ampliando nossa visão sobre inovação no ensino superior”.

“Importância do acolhimento aos calouros nos cursos de Engenharia Civil e Elétrica”, da professora Jayne Carlos Piovesan, da Centro Universitário São Lucas, de Porto Velho, visou a realizar um planejamento para fazer o acolhimento dos calouros dos cursos de Engenharia em todos os semestres. “Todo início de semestre realizamos essa ação, que é pensada totalmente para integração desse novo aluno em sua vida acadêmica e na IES. É no Alojamento que temos a oportunidade de conhecer os novos alunos, apresentar os cursos, os professores, a instituição, a atlética das Engenharias, e também entender todas as plataformas/aplicativos que irão usar ao longo da vida acadêmica”, explica Jayne. Como resultados, segundo a educadora, “foi percebido que o calouro fica mais integrado e consegue se deslocar pelo campus, além de se sentir acolhido, o que reduz a evasão”.

Boas práticas para inclusão acadêmica: monitoria e suporte a estudantes com TEA no ensino superior”, da professora Carla Fernanda Silvestre, da Faculdade de Ciências Médicas (ITPAC Palmas),  em coautoria com Erika Waleska Lustosa de Medeiros e Luís Fernando Castagino Sesti, nasceu do desejo de compreender a importância da monitoria individualizada para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino superior, reconhecendo suas necessidades e potencialidades, e teve origem em uma experiência real e transformadora desenvolvida com uma aluna do terceiro período, sob sugestão do Núcleo de Experiência Discente (NED). “Esse trabalho não apenas amplia o acesso ao conhecimento para a acadêmica monitorada, ajudando-a a superar dificuldades de aprendizado, mas também proporciona uma nova perspectiva para a acadêmica que pôde compreender mais profundamente o autismo e suas características. Os resultados mostraram-se promissores, trazendo benefícios significativos, embora ainda exijam mais pesquisas e refinamentos para fortalecer essa abordagem”, diz a educadora. Segundo a docente, as capacitações do STHEM a fizeram ver “o impacto de iniciativas inclusivas na instituição. O projeto reforça a necessidade de investimento contínuo em estratégias acessíveis, e capacitações que promovam uma educação superior mais acolhedora, adaptada e humanizada”.

“Desafios da segurança alimentar infantil: o potencial das creches”, da professora Suzete Souza de Melo, em coautoria com Denise Ana Augusta dos Santos Oliveira, da UNIGRANRIO, surgiu da vivência cotidiana da educadora em uma creche pública no município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. “A realidade que presencio é marcada por desafios frequentes no que diz respeito à aceitação alimentar das crianças e à garantia de uma nutrição adequada. A partir dessa observação, decidi investigar de forma mais sistematizada como as creches podem atuar não apenas como locais de cuidado, mas como espaços potentes de promoção da segurança alimentar e do desenvolvimento infantil”, conta a docente.

Segundo Suzete, “a experiência de desenvolvimento do projeto foi profundamente enriquecedora porque foi utilizada abordagem de pesquisa-ação, envolvendo ativamente os diferentes profissionais da creche – professoras, merendeiras, nutricionista e equipe diretiva –, além dos responsáveis pelas crianças. Realizamos entrevistas, rodas de conversa, além da análise de dados quantitativos relacionados à recusa alimentar. O processo foi marcado por escuta, trocas, reflexões e construção coletiva. Um dos aspectos mais significativos foi perceber o quanto o cuidado com a alimentação também é uma expressão de afeto e um campo fértil para a educação”, ela relata.

Os resultados obtidos foram positivos, segundo a educadora: “Identificamos que a insegurança alimentar na infância está fortemente relacionada a fatores sociais e econômicos, e que a creche exerce um papel de suporte essencial para muitas famílias, além disso, o estudo resultará na produção de um guia digital com estratégias para a construção de um projeto de acompanhamento alimentar em creches”. Suzete conclui dizendo que “as formações oferecidas pelo Consórcio STHEM me ajudaram a trabalhar de forma mais colaborativa e inovadora, e o apoio do STHEM reafirma que, mesmo em contextos desafiadores, é possível inovar com sentido e transformar realidades com ações consistentes e humanas”.