
Héctor Ruiz Martin, diretor da Fundação Internacional de Ensino de Ciências
Nesta quinta-feira (dia 4), o Consórcio STHEM realizou o módulo 3 on-line, via Zoom, do XII Programa de Formação Docente, com a participação de Héctor Ruiz Martín, diretor da Fundação Internacional de Ensino de Ciências, de Barcelona (Espanha), cuja apresentação foi baseada em seu livro Como aprendemos? Uma abordagem científica da aprendizagem e do ensino.
Em sua palestra o pesquisador focou na aprendizagem sob a perspectiva da Psicologia Cognitiva, destacando ferramentas e metodologias úteis para educadores e alunos, e enfatizou a importância de compreender o processo de aquisição de competências, habilidades e conhecimentos por meio do comportamento humano. “A complexidade da avaliação da aprendizagem, por meio de provas escritas, mostra que as notas nem sempre refletem o conhecimento real adquirido, e que fatores como capacidade, esforço e técnicas de aprendizagem são determinantes para o desempenho do aluno”, enfatizou.
O educador compartilhou também os resultados de um experimento que comparou o desempenho de dois grupos de alunos com diferentes estratégias de aprendizagem, revelando que a forma como se aprende é crucial para o sucesso a longo prazo, e desmistificou o conceito de estilos de aprendizagem. “Não há evidências científicas que sustentem que existem métodos de aprendizagem eficazes que beneficiam todos os alunos”.
Ruiz Martín explicou ainda como a memória funciona. “A memória trabalha como uma rede de significados, onde as informações são organizadas por meio de conexões. Por isso a importância de se mobilizar o conhecimento prévio e usar estratégias como a elaboração para melhorar a retenção e a compreensão de novas informações”. Ele também abordou a importância da recordação na aprendizagem, sugerindo que “lembrar é tão importante quanto codificar informações. Proponho que tanto alunos quanto professores implementem atividades que incentivem essa prática”.
Ao apresentar os conceitos básicos da Psicologia Cognitiva, o palestrante desmistificou também a ideia de estilos de aprendizagem, argumentando que “não há evidências científicas que os sustentem” e que “existem métodos de aprendizagem eficazes que beneficiam todos os alunos”, citando os que ele considera principais, que são mobilizar, elaborar, evocar, espaçar e entrelaçar.
Mobilizar: “Para aprender é necessário mobilizar os conhecimentos prévios. Não é suficiente ter conhecimento para aprender alguma coisa, temos de ser conscientes de nos conectar com que vamos aprender e nos apoiar em algo que já sabemos”.
Elaborar: “Tem a ver como criar o máximo de conexões possíveis, praticar, repetir, treinar. É aprendermos aquilo sobre o que pensamos, o que tentamos entender, e entender é mais do que interpretar uma nova informação do contexto que já sabemos. Aprender é entender”.
Evocar: “É o mais importante. Consiste em trazer à tona conhecimentos armazenados, fortalecendo as redes neurais e consolidando o aprendizado de forma mais profunda, significativa e duradoura. Quando evocamos o aprendido, reaprendemos”.
Espaçar: “É distribuir o tempo de estudo em vários episódios e em diferentes espaços. Distribuir o estudo em diferentes espaços. Um dos principais motivos que os estudantes esquecem é porque massificaram. A prática espaçada é uma das melhoras formas de aprender em um espaço duradouro. Espaçar ajuda a aprender a aprendizagem. Professores precisam promover o espaçamento”.
Entrelaçar: “Estudar várias coisas diferentes aleatoriamente, com estudos de áreas diferentes. Se eu aprendo e pratico eu gravo melhor. E a prática entrelaçada se aprende com maior sustentação. Melhora e guarda melhor o que se aprendeu. Aprendemos mais entrelaçando os objetos de estudo”.
Ruiz Martín finalizou sua palestra instando os educadores a reconsiderarem seus métodos de ensino e a usarem ferramentas como a inteligência artificial para incentivar a autoavaliação e o engajamento ativo dos alunos.








