O primeiro painel do evento “O Admirável Futuro da Educação Superior” abordou o futuro inevitável das instituições de ensino superior, que contou com a apresentação de Hugo Pardo Kuklinski, diretor da Outliers School. Educador começou sua palestra contextualizando a evolução da tecnologia e alertando que as instituições de ensino precisam ter em mente que os ciclos de inovação são contínuos.
“Agora estamos debatendo a inteligência artificial, mas essa evolução é contínua. Acredito que logo estaremos discutindo computação quântica”. adiantou. “A cada novo ciclo, as IES ficam surpresas e agem como se tivessem que começar tudo de novo”, lamentou. “Precisamos desenvolver uma solução para essa inovação permanente, uma cultura start-up que perceba essas mudanças como naturais”, alertou.
Em seguida, Hugo Pardo Kuklinski listou 12 forças tecnológicas inevitáveis que afetam as interações humanas com o mundo institucional, entre elas uma mudança da cultura acadêmica textual para uma cultura transmídia, uma mudança na perspectiva de propriedade dos conteúdos para o acesso e uma mudança para uma cultura de remixagem, em que nada é puramente novo e tudo se transforma, etc.
“Sempre estamos voltando para o começo e precisamos estar preparados permanentemente para criar novos universos educacionais”, destacou Hugo Pardo, que elencou alguns pontos que as IES precisam rever: governança e gestão; a separação entre campus físico e digital para a criação de uma universidade híbrida expandida; os papéis dos professores, que devem criar uma experiência de aprendizagem emocionante que transcende aspectos temáticos; e como promover uma maior interação entre estudantes e mercado de trabalho, com as IES incentivando que os alunos criem um portfólio profissional digital, por exemplo.
Mais uma vez, Hugo Pardo sugeriu que as instituições de ensino superior precisam adicionar a cultura start-up aos seus modelos de gestão, criando, por exemplo, laboratórios de ideação agéis para acelerar mudanças estratégicas. “É preciso também que as IES impulsionem a inovação contínua, mas esta precisa ser focada na melhoria das experiências dos estudantes”, defendeu.
Para saber mais sobre as questões apontadas por Hugo Pardo Kuklinski, autor do livro “Os futuros inevitáveis das universidades: Ideias para gestores realizarem a consolidação híbrida”, que serviu de base para o tema do evento “O Fim das Universidades Tradicionais”, acesse aqui.
O Fim da IES como conhecemos hoje

No segundo painel, “O fim das IES como conhecemos hoje”, o moderador e coordenador do International Office do Cesupa, Caio Fanha, iniciou a apresentação afirmando que “é preciso um olhar para dentro das IES e para o que se está apresentando para os alunos. Precisamos reconstruir um modelo onde os facilitadores apontam caminhos para os estudantes e para isso temos de utilizar as tecnologias a nosso favor”.
Em seguida, Marina Feferbaum, coordenadora do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação da FGV, alertou sobre estudos que apontam “um momento crucial na educação e a dificuldade dos alunos com o uso, possibilidades, dilemas e práticas institucionais da Inteligência Artificial. Cerca de 300 milhões de empregos vão ser afetados pela última onda da IA, onde 44% das funções vão ser automatizadas até 2050 e que vai surgir uma nova classe de pessoas, a das inúteis. Nas empresas também, há uma guerra pelo uso ético e correto das IAs generativas. E há os que pensam em parar com tudo”.
Segundo pesquisa apresentada pela educadora existem aflições sobre o futuro do uso das IAs generativas como “precisão e desinformação, ceticismo com resultados, usos fraudulentos e ilegais, plágio, perda de emprego ou, por outro lado, confiança excessiva”.
Quanto às políticas das IES sobre o uso da IA, Marina Feferbaum apresentou números de um estudo do Times Higher Education: “Dois em cada 10 reitores (20%) afirmam que sua instituição publica políticas que regem o uso de IA; seis em cada 10 reitores (63%) afirmam que tal política está em desenvolvimento; todos os reitores pesquisados (92%) dizem que os professores e funcionários de suas instituições solicitaram treinamento adicional relacionado ao desenvolvimento em IA generativa e três quartos dos reitores (78%) dizem que sua instituição ofereceu treinamento em resposta as preocupações ou perguntas do corpo docente sobre IA nos últimos 18 meses”.
A educadora apresentou também dados sobre o currículo. “Um em sete pró-reitores (14%) diz que sua instituição revisou o currículo para inserir questões de IA; a maioria dos pró-reitores (73%) diz que sua instituição está planejando uma revisão curricular e que um em sete (13%) diz que não há tal revisão planejada”.
Marina Feferbaum falou ainda dos desafios éticos e jurídicos das IES sobre integridade acadêmica, plágio e falta de precisão de dados e fontes, com vieses de discriminação; privacidade e segurança de dados, transparência e desigualdade de uso e acesso e que “o novo papel do uso da tecnologia é usar tanto como ferramenta quanto como objetivo do conhecimento para construção de relacionamentos confiáveis, otimizando funções e aprendendo sobre ciência de dados”.
Dale P. Johnson, diretor de Inovação Digital do University Design Institute da Universidade Estadual do Arizona, iniciou sua apresentação afirmando que “nós não vamos reconhecer as novas IES em 10, 20 anos porque elas vão mudar totalmente. Eu uso a Inteligência Artificial para fazer as minhas aulas. Nossos alunos, metade deles, estão on-line. Temos 112 IES em 24 países, e em todas as partes do mundo tem os mesmos desafios. Precisamos reimaginar a educação. Temos de ajudar e dar suporte aos nossos estudante, construindo pontes educacionais que geram valor e compromisso social”.
O educador também enfatizou a necessidade de integrar os setores das instituições e fazer os estudantes aprenderem durante toda a vida. “A demanda hoje de alunos na Universidade Estadual do Arizona, que é uma instituição pública, metade estão on-line e isso exige um novo design operacional. Também alunos que buscam novas habilidades têm necessidades diferentes. Temos de construir uma abordagem holística para a transformação universitária e o apoio das lideranças é fundamental. Também focar no desenvolvimento do corpo docente com três tipos de treinamento: o pedagógico (que enfatize o aprendizado interativo); o tecnológico (que crie experiência em sistema on-line) e a facilitação de grupos (que desenvolva habilidades instrucionais).
Dale Johnson finalizou sua apresentação destacando que as instituições precisam fornecer serviços de design instrucional e também investir em infraestrutura institucional como em sistemas de análises de dados, ambiental digital de aprendizagem e armazenamento e veiculações de vídeos.








