Durante o X Fórum Internacional de Inovação Acadêmica do Consórcio STHEM Brasil, que aconteceu em abril desse ano, cinco trabalhos das instituições Unesp, Unicamp, Unidep, UniFOA e Univates receberam menção honrosa nas áreas de Ciências Exatas e da Terra, Linguística, Letras e Artes e Engenharias.Todos os docentes foram unânimes em dizer que sem a capacitação do consórcio não teriam avançado tanto na capacitação de docentes e no desenvolvimento do protagonismo dos estudantes.

O relato de experiência “Mapa de Percepções: estudo preliminar”, baseado em estratégias ativas de aprendizagem e metodologias ativas, apresentado pelo  docente Carlos Renato Zacharias, da Unesp, nas áreas de Ciências Exatas e da Terra, teve como objetivo despertar habilidades sócio-emocionais (soft skills) nos estudantes. “Esse tema é recorrente em qualquer atividade profissional, e é algo cada vez mais requisitado no mercado de trabalho. Então pensei em medir essas habilidades nos alunos. Como eu sou Físico, transformo os dados matematicamente. Então decidi desenvolver uma avaliação diferente. Fiz um questionário de avaliação por pares, perguntando só coisas boas para os alunos. E pedi para que os alunos escolhessem qual o aluno ele desejaria fazer um relatório com ele. E essa atividade ficou muito  mais leve e gostosa. E os alunos usavam codinomes de cidades. E como era uma atividade voluntária, eu podia ver quais os alunos participavam mais. Então a ideia não foi eu fazer a avaliação dos alunos, mas eles mesmos se avaliarem de forma anônima, discreta e só falando bem uns dos outros”, contou Zacharias.

Segundo o docente, “a ajuda do STHEM Brasil foi fundamental nessa inovação em sala de aula. O consórcio tem uma importância em termos de formação, divulgação e disseminação de estratégias inovadoras de ensino. É um mérito do consórcio, que é um fórum muito rico de troca de informações. Desde que eu participo eu aprendo muito, testo muito, vejo erros meus e dos outros. É fantástico e fundamental para o crescimento da inovação nas IES”.

O artigo “Autoavaliação de competências transversais de estudantes de Engenharia: um estudo comparativo entre Unicamp e Unifei”, é coordenado por duas professoras: Lilian Barros Pereira da Unifei – campus Itabira e Janaína Antônio Pinto que atua na FECFAU–Unicamp juntamente com o professor Orlando Fontes Lima Junior, e tem como objetivo identificar condições favoráveis para o desenvolvimento de competências transversais (CT´s) em estudantes das áreas de Engenharias.

“As CT´s foram definidas com base nas portarias do Enade de cada um dos cursos de Engenharia no escopo do projeto. As competências analisadas no projeto são: criticidade para resolver problemas, criatividade, empreendedorismo, inovação, proatividade, multidisciplinaridade, colaboração, ética e humanismo, atualização quanto às novas tecnologias, organização, resiliência, clareza na comunicação oral e escrita. Os estudantes são convidados a adotar a técnica Plan-Do-Check-Act (PDCA) para o desenvolvimento de competências transversais e os resultados dos levantamentos feitos durante este processo são analisados para auxiliar no desenvolvimento de estratégias de aprendizagem ativa e potencializar o aprimoramento profissional dos estudantes. Com base em levantamentos feitos com os estudantes que utilizam a técnica PDCA, 90% dos respondentes relatam que perceberam melhoria na performance das suas CTs após adotarem o método”, explica a docente da Unicamp, Janaína Antônio Pinto.

Os principais resultados, segundo a docente, “mostram a importância da discussão sobre o desenvolvimento de competências transversais no contexto da educação em Engenharia. Formar engenheiros torna-se um desafio ainda maior uma vez que, além de desenvolver competências específicas de seu curso, os engenheiros em formação precisam de oportunidades de desenvolver suas competências sócio-emocionais. Os estudantes relatam que essa é uma discussão inédita e falam que não conheciam o conceito competências transversais. Os autores do artigo fazem parte do Grupo de Pesquisa Metodologias Ativas do Ensino Superior da Unifei e do Laboratório de Aprendizagem em Logística e Transportes da Unicamp. Ambas iniciativas têm se comprometido com atividades de ensino, pesquisa e extensão para a geração de uma aprendizagem significativa. E como resultado desta trajetória, o projeto tem gerado publicações, realização e participação em eventos e capacitações dos docentes”.

Segundo Janaína Pinto todo o trabalho foi possível porque “o consórcio STHEM tem sido fundamental para o amadurecimento como docentes e pesquisadores na área de educação em Engenharia. Eu a professora Lilian participamos das formações do STHEM desde a formação do consórcio. Este histórico de aprendizado foi fundamental para o design da pesquisa e para a premiação do trabalho. Este prêmio ressalta a importância e o impacto dessa pesquisa para a comunidade acadêmica, destacando-a como uma contribuição significativa para o avanço do conhecimento no campo da educação em Engenharia. A participação das instituições Unifei e Unicamp no consórcio enriquece a prática docente, fomenta a participação ativa dos estudantes e aprimora a aprendizagem por meio do uso de tecnologias educacionais. Tudo isso promove a inovação acadêmica, além de fomentar a troca de experiências e conhecimentos com todos os representantes das instituições participantes. A rede de colaboração entre Instituições de Ensino Superior do consórcio ajuda professores e gestores na formação de profissionais mais capacitados e aptos a enfrentar os desafios da sociedade”.

O relato de experiência “Transformando princípios em práticas: a implantação do Comitê de Sustentabilidade do Unidep”, do Grupo Afya, na área de Engenharias, apresentado pela coordenadora do NEaD Keli Starck, “é uma formação de professores em ensino híbrido, integrando teoria e prática no contexto do ensino superior, nas áreas de Engenharias e com o tema gestão”, conta a educadora.

Segundo ela, “o projeto apresentou práticas sustentáveis no Centro Universitário de Pato Branco e nesse Comitê reuniu membros da Reitoria, colaboradores e professores numa abordagem multidisciplinar com o objetivo de promover transformações sociais, ambientais e econômicas, alinhando-se aos valores de sustentabilidade e influenciando a comunidade acadêmica com diversas atividades educativas”.

Para Keli Starck “ao destacar o Comitê de Sustentabilidade no Unidep como uma boa prática e atribuir uma menção honrosa, o STHEM Brasil inspira outras Instituições de Ensino Superior a adotarem abordagens semelhantes, promovendo um modelo de sucesso que serve de exemplo para a implementação de práticas sustentáveis no setor educacional”.

Os resultados não podiam ser melhores. “O Comitê de Sustentabilidade demonstrou impacto notável em seu primeiro ano com a formalização por meio de resoluções e portarias que solidificam seu papel institucional. Também realizou diversas ações como o Dia Mundial da Água, coleta de resíduos eletroeletrônicos, e eventos integrativos como o Dia do Meio Ambiente e o Dia da Árvore alinhado ao Setembro Amarelo. Essas iniciativas destacam o sucesso do Comitê em fomentar uma cultura de sustentabilidade efetiva dentro e fora da instituição”.

O artigo “Perspectiva docente sobre capacitação em Inteligência Artificial: uso do ChatGPT como ferramenta pedagógica”, da área de Ciências Exatas e da Terra, apresentado pelo professor Italo Rodrigues do Centro Universitário de Volta Redonda – UniFOA,teve como objetivo atualizar os docentes para o retorno às aulas, e foi desenvolvido na oficina Competências Digitais: Articulação da IA e Neuroeducação por meio de Planejamento Reverso no Campus Olezio Galotti, em Três Poços.

“O evento foi realizado em dois dias para contemplar todos os professores e era uma meta já estipulada na formação do Consórcio STHEM Brasil onde foram desenvolvidos sete módulos com focos na adaptação do currículo às necessidades e características específicas de cada aluno. A partir desses módulos, os professores definiram as oficinas que foram aplicadas durante a 5ª Semana de Formação Continuada, aprimorando todo o planejamento. Esta capacitação contou com a participação de seis professores do UniFOA: Andre Barbosa, Carolina Hartung, Clarisse Netto, Koffi Djima Amouzou, Lucimeire Cordeiro, Maria das Graças Lima e eu”, disse Italo Rodrigues.

Segundo o docente, “o desenvolvimento de competências digitais pode potencializar o uso de IA. Por exemplo, um professor pode estabelecer um comando para o ChatGPT e adaptar o mesmo comando para cada um dos estudantes e, deste modo, customizar textos separadamente. A expansão das habilidades e a IA oferecem aos alunos uma visão comprometida com a modernidade, que diversos setores do mercado de trabalho vêm realizando” e completa “a maioria dos discentes aprova o uso da IA. Isso fica mais destacado quando observamos a pesquisa realizada com os estudantes em que a maioria, cerca de 88%, acredita que a IA deu o suporte necessário para realizar as atividades propostas. Vamos aprimorar cada vez mais”, finalizou.

Já o relato de experiência “Os desafios da extensão do currículo”, apresentado pela educadora da Universidade do Vale do Taquari (Univates), Grasiela Kieling Bublitz, na área de Linguística, Letras e Artes, foi desenvolvido no segundo semestre de 2023, por cerca de 30 alunos do período noturno em Licenciaturas (Letras, Pedagogia e Educação Física) e de Relações Internacionais. Segundo Grasiela Bublitz, “os alunos durante o semestre desenvolveram nove ações extensionistas, dentre as quais quatro foram apresentada durante o X Fórum de Inovação do STHEM Brasil:

  • AMAM – Associação do Menor de Arroio do Meio: as acadêmicas realizaram atividades a partir da literatura infantil, visto que o espaço habitado pelas crianças no contraturno escolar permitia a inserção de momentos de contação de histórias.
  • Casa de Repouso Bom Samaritano, em Cruzeiro do Sul: objetivou proporcionar aos idosos nos finais de semana momentos de conversa e, principalmente, de escuta atenta, em que a partir da leitura de livros de literatura infantil abordaram-se sentimentos dos mais variados como alegria, medo e saudade. Gravação de podcasts denominados Vovocasts, em que alguns idosos puderam gravar depoimentos sobre seus sentimentos e vivências durante os anos que já se passaram.
  • Projeto Letras e Vozes, na cidade de Anta Gorda, mais especificamente na Casa de Cultura desse município: uma aluna de Letras e outra de Pedagogia organizaram encontros no local para ler e debater sobre as escritas de autoras mulheres. A partir das reflexões, as acadêmicas estimulavam as participantes a escrever gêneros literários diferentes, a partir das experiências de vida.
  • EJA: focaram em estimular a compreensão da importância de um ambiente de trabalho saudável e das causas pelas quais as ações podem influenciar tanto o aspecto profissional quanto o pessoal. Os temas, trabalhados por meio de dinâmicas, foram empatia, comunicação não-violenta e autoconhecimento”.

E a partir das ações extensionistas desenvolvidas e descritas no projeto Vivências de Território, segundo ela, “pode-se perceber que a curricularização da extensão universitária é possível e tem impactos positivos na formação dos nossos estudantes, porque o aluno é o protagonista, ou seja, ele mesmo identifica e propõe ações no território. Passar pela experiência extensionista no decorrer do curso de graduação e entrar em contato com a dinâmica social aproxima o futuro profissional da realidade e o faz enxergar além dos muros da universidade”, concluiu.