
Masterclass: O Dilema da IA, com o professor Eric Mazur
Nesta segunda-feira (27), na ESPM, aconteceu no período da manhã a primeira parte do masterclass O Dilema da IA: o papel do professor e a aprendizagem ativa, com Eric Mazur, uma das vozes mais influentes do mundo em inovação. O evento é realizado pelo Consórcio STHEM, com apoio do Semesp e patrocínio da Pok e do Pravaler.
Representando o presidente do Consórcio STHEM, Fábio Reis, o membro do consórcio Arapuan Medeiros da Motta Netto, reitor do Centro Universitário Augusto Motta do Rio de Janeiro (Unisuam), disse: “O Consórcio está fazendo 13 anos e a Laspau foi muito parceira desde o início ao trazer alternativas inovadoras do mercado internacional para que as IES brasileiras se mantivessem relevantes no cenário educacional. O STHEM surgiu com o objetivo de nos conectar e trocarmos experiências nos dias de hoje no ensino superior. E trazer o Eric Mazur para falar sobre aprendizagem ativa e os usos da IA é muito gratificante”.
Mazur lembrou que trabalha há 35 anos para mudar a educação: “Ainda estamos ligados às tradições, que começaram mil anos atrás, nas primeiras universidades na Itália e na Europa. Quando a pandemia ocorreu, em 2020, eu vi uma oportunidade para ensinar inovação como catalizadora de mudanças, e pensei que as pessoas finalmente iriam se dar conta de que a educação medieval não era a melhor para se ensinar. Mas passou a pandemia e todos voltaram a fazer o que era medieval. Só que agora a IA não vai embora, vai melhorar e melhorar, e nós temos de nos manter atentos às mudanças. Vamos fazer uma reflexão para saber como vamos nos avaliar e como estamos testando as nossas perguntas para o uso da IA”, afirmou.
Em seguida Mazur contou que reestruturou totalmente, com uso da IA, um curso em Harvard que não ministrava há mais de sete anos, e que surgiram algumas perguntas que deveriam ser feitas aos professores, como se os estudantes devem usar a IA durante a aula, se devem usar a IA durante uma avaliação ou uma lição de casa, e por quê. Segundo o palestrante, todos os professores responderam e, em sua maioria, a alternativa mais escolhida foi que os alunos devem usar a IA em sala de aula, durante avaliação e lição de casa, e com orientação dos docentes.
Eric Mazur explicou também aos professores do workshop que os alunos devem usar a IA segundo a Teoria da Autodeterminação (TAD), uma estrutura que na Psicologia ensina que a motivação humana é focada no crescimento pessoal e no bem-estar. Ela propõe que as pessoas são movidas por três necessidades psicológicas inatas: autonomia (sentir-se dono de suas ações), competência (sentir-se eficaz) e relacionamento (sentir-se conectado a outros).
“Como acadêmicos, temos essa sensação de que estamos crescendo, nos sentindo donos das nossas ações, mas no geral fazemos o que nós acreditamos ser melhor para os nossos alunos. Estamos no controle de nossas decisões e somos parte de uma comunidade, estamos conectados uns aos outros e temos de criar um ambiente onde todos tenham autodeterminação”,enfatizou Mazur.
Ele ensinou ainda que é preciso criar nos alunos o momento “ahahahahahaha”, que nada mais é do que o engajamento mental e ativo do aluno para criar sua automotivação e sua autodeterminação. “Recomendo que o aluno se autoavalie e também avalie seus colegas para que tenham uma resposta social as perguntas apresentadas”, disse. Esse método, segundo Mazur, é o que na Psicologia se chama de metacognição, a capacidade de monitorar, controlar e autorregular os próprios processos cognitivos, frequentemente definida como “pensar sobre o próprio pensamento”.
Na segunda parte do workshop, Mazur dará exercícios práticos de como fazer as perguntas corretas para a IA para se criar aulas que engajem os estudantes.







