Quando renovou a parceria com a Fundação Pan-Americana de Desenvolvimento (PADF) e a Boeing, no ano passado, o Consórcio STHEM desenvolveu em 2024 o projeto #PartiuMarte, no qual docentes e estudantes de instituições de ensino superior consorciadas aplicaram metodologias ativas com professores e alunos do ensino médio, em projetos relacionados às dificuldades para chegar e sobreviver no planeta e depois voltar para a Terra.
Firmada em 2022, no âmbito do projeto “PADF nas Escolas”, cujo objetivo é capacitar docentes em metodologias STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o #PartiuMarte trabalhou com seis IES: Centro Universitário de Volta Redonda (UNIFOA/RJ), Centro Universitário do Pará (CESUPA/PA), Centro Universitário UNIFACIG (Manhuaçu/MG), Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT/RS), Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES/RS) e Universidade Tirantes (UNIT).

O professor Luciano Azedias Marins, do UNIFOA, disse que “o projeto de construção de um robô seguidor de linha foi além do aprendizado técnico. É uma ferramenta poderosa de inclusão, empoderamento e transformação social. Ao oferecer aos jovens de uma escola pública no sul fluminense no Estado do Rio de Janeiro, verifica-se a chance de interagir com a tecnologia de forma prática e envolvente, investindo no desenvolvimento de uma nova geração capaz de enfrentar desafios e construir um futuro mais justo e igualitário para todos. O impacto é profundo, não só para os alunos, mas para toda a comunidade, que vê nas conquistas dos jovens um reflexo da mudança possível quando a educação se torna uma prioridade”.
O aluno Gabriel Neves dos Santos Medeiros, do 2° ano do ensino médio, acrescentou que “o projeto de robótica foi um grande divisor de águas sobre engenharia; era algo que eu achava impossível, e que, com a colaboração de professores cheios de disposição para nos ensinar, se tornou acessível e abriu novos horizontes de interesses acadêmicos para mim e para outros alunos”.

O professor Lucas Benjamin Barbosa Souza, do CESUPA, falou que: “Foi uma honra participar deste projeto. Tivemos uma equipe de 11 alunos do ensino médio realizando atividades diversificadas, o que é muito gratificante. O desafio permite ao aluno desbravar novas áreas e experiências de aprendizado. É uma proposta que vai além da relação de sala de aula, da aula expositiva dialogada. O ensino é por meio de experiências”.

A aluna Bruna Belardes também deu seu depoimento: “Sou do 1º ano da escola Dr. Ulysses Guimarães. Pela parte da manhã tivemos aulas teóricas para nos ajudar nos desafios que teríamos à tarde, como a produção de um semáforo, de um foguete a jato e a resolução de duas questões matemáticas. Nossa experiência aqui foi ótima, muito proveitosa, aprendemos bastante, colocamos em prática tudo que damos em sala de aula na escola em outros contextos. Espero estar aqui ano que vem”.

O professor Humberto Vinício Altino Filho, da UNIFACIG, disse que “o projeto #PartiuMarte foi uma realização de grande impacto na realidade da Escola Ludovino Alves Filgueiras. Pude notar a cada novo desafio o crescimento dos estudantes, não só em habilidades técnicas, mas também em inteligência emocional e soft skills. Um momento marcante foi ver a emoção de um dos grupos ao ver que o seu projeto superou e muito as expectativas e crenças que eles tinham sobre eles mesmos, vendo que a ponte que construíram aguentava cada vez mais peso, apesar de não acreditarem que aquilo seria possível”.

A professora da FACCAT, Lorita Aparecida Galle, contou que participou no projeto #PartiuMarte como coordenadora. “Inicialmente fiquei bastante apreensiva, pois era minha primeira vez. À medida que me apropriava das demandas, sentia-me mais confiante e esperançosa de que tudo ocorreria bem. Especialmente após apresentar o projeto à direção da escola, percebi que teria todo o apoio e que acreditavam no trabalho, demonstrando expectativas positivas em relação às atividades que seriam desenvolvidas. O engajamento do grupo também foi muito motivador. Ao ver os estudantes empenhados em realizar as tarefas, sentia-me cada vez mais animada, pois compreendia que o projeto estava sendo valorizado não apenas por eles, mas também pelos professores, que, mesmo não atuando diretamente, nos forneciam feedbacks positivos.”

Sandra Schoenardie de Oliveira (Foto), supervisora escolar na EEEM Berthalina Kirsch, de Igrejinha, disse que o projeto demandou bastante tempo: “Ao longo do projeto e com o convívio com a professora Lorita Galle, da FACCAT, passei a gostar muito da experiência. Percebi o bem que o projeto proporcionava aos alunos. As atividades desenvolvidas na escola, as visitas à FACCAT, as palestras, o convívio com os colegas em outros espaços, as aulas no laboratório e os relatos dos instrutores, foram experiências que agregaram conhecimento, trouxeram motivação, autoconfiança nas situações desafiadoras e, principalmente, expectativa de um futuro acadêmico e voltado para a prática STEM”.

A professora doutora Grasiela Kieling Bublitz, da UNIVATES, afirmou que o projeto #PartiuMarte movimentou a escola e os ambientes da universidade. “Foi visível o interesse e o engajamento tanto dos alunos como da professora e da direção do colégio estadual. Quando os desafios fazem parte do trabalho de sala de aula, o aprendizado torna-se ainda mais significativo, e foi isso que pudemos perceber durante a realização do projeto. A participação na Feira de Ciências foi a culminância do trabalho, quando se pode perceber o orgulho e a alegria no rosto de cada participante.”

A professora doutora Maria Claudete Schorr, também da UNIVATES, complementou: “Ver a concentração de cada estudante durante as atividades foi emocionante. Ainda mais por muitos deles, na maioria das vezes só terem acesso à tecnologia digital por meio do celular. Ao verem os resultados das animações em uma tela maior, na tela do computador e ainda mais tendo um computador para cada aluno, também chamou a atenção deles. Outro aspecto a ser considerado é o fato de muitos destes estudantes terem perdido praticamente tudo na enchente de maio, então para eles participar do projeto foi motivo de orgulho e oportunidade. Durante a Feira de Ciências, onde puderam mostrar os seus projetos para a comunidade acadêmica e externa, percebia-se os olhos brilhando quando falavam do projeto, quando mostravam para o público os programas, jogos e animações que tinham criado”.
A aluna Camili E. Gandini falou: “O projeto #PartiuMarte abriu portas para o meu conhecimento sobre como era feito a maioria dos jogos, sobre o aplicativo Scratch. Seria legal continuar com o projeto, passando-o para outras turmas, pois pode ser uma atividade divertida”.

E a professora da UNIT, Ana Claudia de Ataide Almeida Mota, finalizou dizendo que “#PartiuMarte superou expectativas ao transformar a experiência educacional dos alunos e professores envolvidos. Ver o entusiasmo dos estudantes, especialmente durante os desafios práticos, foi extremamente gratificante e reforçou a importância de projetos que aliam teoria e prática. Para mim, foi uma experiência transformadora, que reafirma o poder da educação como ferramenta de mudança social”.









