Menção honrosa

“O posicionamento frontal ou lateral do professor em sala de aula retangular longa: pesquisa comparativa”, artigo completo do professor Rafael Lara de Freitas, que recebeu menção honrosa do XI Fórum Internacional de Inovação Acadêmica do Consórcio STHEM, teve como objetivo pesquisar estratégias ativas de aprendizagem na interação entre professor em sala de aula e alunos.

“Eu já sou professor há alguns anos e uma coisa que percebo é que interação entre professor e aluno é muito importante, mesmo em tempos de tecnologia em que tudo está voltado para aparelhos digitais e recursos de inteligência artificial. Essa interação cria vínculo e gera inspiração e isso é um trabalho que não deve ser desconsiderado na formação social e de caráter de um futuro médico. Como na sala em que dou aula são cerca de 180 alunos, e muitos ficam no fundão e se distraem, não prestando atenção na aula, resolvi criar um projeto de mudar a posição das cadeiras de diferentes maneiras para que isso gerasse uma experiência de participação maior entre mim e os alunos, como em um game, e que pudesse ter um feedback por parte dos estudantes”, diz Rafael Freitas.

Segundo o docente, os resultados foram muito positivos. “Foi feito um questionário de 10 perguntas sobre o novo posicionamento do professor e das cadeiras em sala de aula, e as respostas ‘excelente’ ficaram acima de 80% praticamente em todos os aspectos. Os alunos passaram a ter mais atenção na aula, e se sentiram mais envolvidos, participativos com os outros colegas de classe e valorizados com a maior atenção do professor”.

Para Rafael Lara de Freitas, o Consórcio STHEM, em seus Fóruns, faz com que o professor se sinta estimulado. “Eu, particularmente, sempre tento colocar em prática uma ideia nova, e me pergunto o que posso fazer para melhorar e engrandecer o ensino para as futuras gerações”, conclui.

A professora Denise Mota Araripe Pereira Fernandes, em co-autoria com as docentes Beatriz Pereira, Laís Rodrigues Gondinho, Leila Alcina Correia Vaz Bustorff e Luísa Moreno Monte Raso, também receberam menção honrosa com o artigo completo “Elaboração de um roteiro para consultas com queixas de difícil explicação médica na atenção primária”.

“Este projeto nasceu da prática viva na Atenção Primária à Saúde, onde até os estudantes mais desenrolados tropeçavam diante de pacientes considerados difíceis — aqueles que falam demais ou não falam nada, que não aderem, que choram, que reclamam, que voltam sempre. A vida real tem muitas camadas, e a consulta não segue roteiro. Foi aí que percebemos que a formação técnica não bastava: era preciso criar um espaço de treino e reflexão sobre comunicação clínica complexa”, conta Denise.

Foi quando surgiu, segundo ela, a proposta de criação do Laboratório de Habilidades de Comunicação e Performance Profissional, um ambiente formativo com metodologias ativas, simulação realística, teatro do oprimido, vídeo feedback e rodas reflexivas. “Durante o desenvolvimento, experimentamos oficinas com grupos de estudantes tímidos e também com aqueles mais confiantes, mas que revelaram dificuldade em sustentar escutas emocionadas e lidar com o sofrimento do outro. Ver esses alunos crescerem — saindo de posturas defensivas para uma comunicação mais empática e presente — foi uma das experiências mais potentes de nossa trajetória docente”.

O principal resultado desse projeto, segundo Denise, “foi a criação de um roteiro semiestruturado de comunicação clínica voltado para o encontro com pacientes considerados difíceis, adaptado à realidade da APS e moldado junto com os próprios estudantes. Mas o mais bonito foi perceber que esse roteiro pode ser ajustado conforme o perfil de cada estudante. Alguns precisavam treinar a escuta, outros a contenção emocional, outros a organização lógica da consulta e o projeto permitiu exatamente isso: flexibilidade com intencionalidade, sem perder o cuidado com o paciente”.

Denise conclui que “o projeto ser contemplado com a menção honrosa representa o reconhecimento de um caminho construído a muitas mãos e um impulso importante para consolidar o projeto como ação contínua, articulada institucionalmente e com potencial de multiplicação”.

“Avali.AI: uma solução para avaliação institucional 360º e seu impacto no planejamento estratégico na FAESA”, software criado pelo professor Otávio Lube dos Santos em coautoria com os professores Cassio Jordan Almeida Alves, Filipe Cajado Almeida, Rayanne Paula Domingos França e Siomara Brandião Basto, foi desenvolvido no Centro Universitário FAESA para apoiar a Comissão Própria de Avaliação (CPA) na realização de pesquisas institucionais, envolvendo estudantes, docentes e técnicos-administrativos.

“O projeto teve como objetivo otimizar a coleta, o tratamento e a análise de dados para subsidiar o planejamento estratégico da instituição. Durante o desenvolvimento, enfrentamos desafios técnicos e metodológicos. Foi especialmente enriquecedor aplicar conceitos de inteligência artificial para classificar automaticamente os comentários recebidos, além de explorar recursos de gamificação para incentivar a participação. O processo foi colaborativo e contínuo, com testes, validações com usuários e ciclos regulares de aperfeiçoamento”, conta Santos.

Segundo ele, “os resultados foram 100% de participação do corpo técnico, administrativo e docente em uma das etapas de avaliação; mais de 3.800 estudantes respondentes em uma única etapa da avaliação discente; automatização da análise de comentários por meio de IA, reduzindo tempo de trabalho das equipes”.

Santos acredita que “os resultados permitiram à FAESA tomar decisões estratégicas com base em dados concretos, identificando pontos de melhoria e reforçando boas práticas e a menção honrosa representa não apenas o reconhecimento do mérito técnico do Avali.AI, mas também o reflexo do ambiente de valorização da inovação acadêmica fomentado pelo consórcio STHEM”.

As professoras Julia Feitosa Costa e Juliana Carvalho Piva desenvolveram o projeto “Educação Superior e aprendizagem: desafios e perspectivas na sociedade do conhecimento”, que teve como objetivo principal aprofundar as discussões sobre os desafios enfrentados pelos docentes no cenário atual da educação superior, especialmente diante das transformações promovidas pelas tecnologias digitais e pela inteligência artificial, a partir da prática docência e a dificuldade vivida entre os colegas do curso de Direito.

“O trabalho desenvolvido investigou, de forma crítica e sistemática, as dificuldades que os professores têm enfrentado diante do novo perfil de estudante — mais conectado, autônomo e interativo — e da crescente presença da inteligência artificial no cotidiano educacional e buscou compreender como esses fatores impactam as práticas pedagógicas, além de quais estratégias podem ser adotadas para promover um ensino mais eficaz e alinhado às demandas contemporâneas”, conta Julia.

Segundo a docente, “a participação no Fórum do STHEM foi decisiva para o fortalecimento da temática que vem sendo buscada ao longo dos anos pela instituição, com a finalidade de propiciar validade e notoriedade para as mudanças emergenciais que se faz necessário nos cursos superiores”.

As professoras Érika Cinegaglia Viz Leutwiler, Elisa Maria Barbosa de Amorim Ribeiro e Rebeca Grangeiro (UNISUAM) também foram premiadas com menção honrosa pelo “Trabalho emocional em docentes de Psicologia no ensino superior público e privado”.

“O artigo teve como objetivo compreender as experiências emocionais vivenciadas por docentes universitários em seu cotidiano de trabalho, tanto em instituições públicas quanto privadas”, explica Érika. Segundo a docente, “entrevistar esses profissionais proporcionou o contato direto com as forças e fragilidades desses educadores, revelando como a paixão pela docência os impulsiona, mesmo diante de adversidades recorrentes no ambiente profissional. Entre os desafios relatados, destacam-se as dificuldades nas relações interpessoais com a gestão, pares e estudantes, além da ambiguidade de normas institucionais. Apesar da constante desvalorização da profissão, os relatos evidenciam um compromisso resiliente com o ensino, reafirmando a potência e a complexidade do trabalho emocional na docência”.

Já a análise dos dados, como Érika revela, “permitiu caracterizar três grandes tipos de demandas emocionais enfrentadas pelos professores: interacionais (nas relações com alunos, colegas e gestores), técnico-pedagógicas (vinculadas à sala de aula e à prática docente) e intrapessoais (ligadas às emoções e conflitos internos). A partir dessas categorias, foi possível compreender melhor o impacto dessas exigências emocionais no cotidiano dos docentes e sugerir ações institucionais para promoção de suporte emocional e prevenção do adoecimento”.

O impacto do desenvolvimento das organizações tendo em vista o score do NPS, da docente Tereza Cristina Sader Vilar, coordenadora do curso de Direito da Faculdade Santo Agostinho de Sete Lagoas, teve como foco investigar o impacto do desenvolvimento organizacional no Net Promoter Score (NPS), métrica amplamente utilizada para medir a satisfação e a lealdade dos clientes.

“Utilizando uma metodologia mista — com revisão da literatura, análise de dados e um estudo de caso prático — a pesquisa demonstrou como iniciativas voltadas ao treinamento de funcionários, à otimização de processos internos e à construção de uma cultura organizacional centrada no cliente podem elevar significativamente os índices de NPS das organizações”, afirma Tereza.

Os resultados foram expressivos para a educadora: “a organização analisada apresentou um aumento de 20 pontos em seu NPS após a implementação das práticas propostas, o que se refletiu em maior retenção de clientes, crescimento nas vendas e fortalecimento da reputação da marca. O estudo confirmou que investir no desenvolvimento organizacional não só melhora a eficiência operacional como também contribui diretamente para a lealdade dos consumidores”.

Segundo a educadora, “a conquista da menção honrosa pelo projeto também evidencia o papel fundamental do Consórcio STHEM no processo de formação e capacitação docente e amplia a visão sobre inovação acadêmica, metodologias ativas e impacto social da pesquisa”.

“A abordagem do luto nos projetos pedagógicos dos cursos de Psicologia das universidades públicas do Rio de Janeiro’, do docente Flavio Lopes Guilhon (UNIGRANRIO) em co-autoria com Lohany Silva Corrêa Neves, teve como objetivo identificar a presença, ou a ausência, do tema do luto na graduação dos estudantes de Psicologia, além de discutir as implicações da escassez desse conteúdo nos currículos das instituições de ensino superior.

“Para esse propósito foi realizado uma análise documental dos Projetos Políticos Pedagógicos e dos Ementários de todas as universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro – UFRJ, UERJ, UFF e UFRRJ – que possuem Psicologia como curso de graduação, e a partir dos dados coletados notou-se que apenas a UFRRJ inclui explicitamente o luto, sendo uma temática exclusiva de uma disciplina específica dentro do currículo voltado à saúde, enquanto as demais universidades tratam o tema de maneira indireta ou simplesmente não o mencionam nos  PPCs e nas ementas”, explica Flavio.

Segundo o docente, “a ausência de uma formação sólida sobre o luto pode resultar em prejuízos na assistência a indivíduos e comunidades enlutadas, bem como para os próprios profissionais que vivenciarão esse momento em suas atividades laborais”.

Agora o projeto deve seguir para as IES privadas. “Temos como proposta, para 2026, identificar se os cursos de Psicologia das faculdades particulares possuem discussões sobre luto na graduação, e na sequência, comparar os dados obtidos nos cursos de Psicologia nas faculdades públicas e privadas no Rio de Janeiro”, conclui.

Relatos de Experiências

O relato de experiência “A autoavaliação institucional da Comissão Própria de Autoavaliação (CPA) como ferramenta de estímulo docente, do professor Leonardo de Araújo Lopes em co-autoria com os docentes Camila Caroline Domingues Alvernaz, Lucas Duarte de Oliveira e Maria Emilia de Oliveira, do Grupo Afya de Ipatinga, surgiu como uma ferramenta essencial de feedback para os professores, funcionando como uma ponte direta entre eles e os alunos.

“Após a análise dos textos enviados na avaliação institucional, o coordenador da CPA compilou todos os elogios e nas reuniões de alinhamento docente os elogios foram apresentados como forma de reconhecimento e agradecimento pelo excelente trabalho dos professores. Essa prática visa aumentar a busca contínua pela melhoria e valorização das boas práticas. E por mensagem eletrônica individual, os elogios também foram direcionados diretamente aos docentes. Esta abordagem oferece um agradecimento individualizado e serve como um estímulo adicional ao desenvolvimento profissional de cada educador”, explica Leonardo.

Segundo o educador, “o resultado revelou um aumento da sensibilização dos alunos que ficaram mais engajados para participar da avaliação institucional e a satisfação e a motivação dos professores que receberam elogios foi renovada para continuar melhorando seu desenvolvimento profissional”.

A professora Geisa da Silva Ferreira Lucena, (Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão/FITS – Tiradentes) com o “Projeto Cumbuca: clube de leitura para lideranças em uma instituição de ensino superior”, conta que “o trabalho nasceu inspirado no autor Vicente Falconi em seu livro ‘O Verdadeiro Poder das Práticas de Gestão que Conduzem a Resultados Revolucionários’, de 2009 e visa fortalecer as lideranças acadêmicas por meio de um clube de leitura estruturado, promovendo o desenvolvimento de competências gerenciais e interpessoais entre os participantes”.

Segundo a docente, o Cumbuca funciona “a partir da indicação de um livro para leitura, informando com 15 dias de antecedência o capítulo a ser trabalhado e no dia agendado é colocado em uma cumbuca os nomes de todos os participantes. Há um sorteio de quem será a pessoa que vai iniciar a discussão. Após o relato do sorteado, todos complementam com suas percepções e aprendizados. Caso o participante sorteado não tenha lido o livro, cancelamos para a semana seguinte, pois reforçamos o nosso compromisso em reservar esse momento para nos desenvolvermos”.

Geisa conta também que “os resultados foram satisfatórios. A partir da experiência, verificou-se que a leitura compartilhada pode ser uma ferramenta poderosa para alinhar objetivos institucionais, integrar setores e fortalecer práticas de liderança, além de contribui para a construção de uma cultura institucional mais transparente, colaborativa e estratégica”.

“Cultivando saúde e bem-estar no ambiente institucional: a horta orgânica como aliada à saúde da mulher”, da professora Anielle Chaves de Araújo em co-autoria com as docentes Bárbara Maria Soares Pereira Wanderley, Eveline de Almeida Silva Abrante e Luísa Moreno Monte Raso, trata de um relato de experiência cuja ação foi realizar uma atividade na horta orgânica institucional de uma faculdade de Medicina, do Grupo Afya, voltada à promoção da saúde da mulher no ambiente corporativo.

“Em março de 2025 fizemos uma atividade de plantar coentro em uma horta, sendo conduzida de forma colaborativa entre o setor de recursos humanos da instituição e a equipe responsável pela horta institucional, o que incluiu um docente com graduação em nutrição. A ação foi estruturada em etapas desde o planejamento até a execução com o objetivo de proporcionar uma experiência prática e de educação em saúde para os colaboradores da instituição”, explica Anielle.

Ao chegar na horta, segundo a educadora, “as mulheres colaboradoras foram acolhidas em uma roda de conversa, buscando-se o diálogo sobre a saúde integral da mulher por meio de perguntas e propondo uma analogia entre a prática de ações diárias de autocuidado para obtenção da saúde integral”.

Durante o diálogo foram discutidos pontos relacionados à alimentação, saúde e bem-estar, tendo a horta como recurso facilitador. “Após esse momento, as colaboradoras foram convidadas a compartilhar suas emoções em relação à atividade e colher o coentro na horta orgânica numa oportunidade de levar a colheita para casa”.

O resultado, segundo Anielle, “foi integrar práticas sustentáveis de cultivo, estimulando o vínculo com a natureza e o desenvolvimento de hábitos alimentares benéficos para a saúde voltados à saúde da mulher à medida que foram incluídos pontos como o cultivo orgânico de coentro e orientações para maximizar seus benefícios nutricionais com ênfase na saúde da mulher, como suas qualidades antioxidantes, anti-inflamatórias e digestivas, além de seu impacto positivo na saúde hormonal e metabólica”, conclui.

Resumo Expandido

O resumo expandido da professora Zilka Sulamita Teixeira Maia, do Centro Universitário FAESA, pelo trabalho “Fórum personalizado com Inteligência Artificial”, em co-autoria com os docentes Lorena Piza Arndt do Nascimento e Vitor Nunes Rosa, teve como propósito inserir novas tecnologias nos fóruns de discussão acadêmicos em espaços mais atrativos, personalizados e significativos para os estudantes, por meio da Inteligência Artificial (IA).

A proposta partiu, segundo Lorena Arndt, “da observação dos desafios enfrentados por alunos e docentes em fóruns virtuais tradicionais com baixa participação, interações superficiais e pouca personalização. Partimos daí e criamos um fórum personalizado com uso do ChatGPT, que gera perguntas problematizadoras de acordo com o curso de graduação dos estudantes, promovendo um ambiente mais interativo, contextualizado e alinhado com os objetivos pedagógicos e também utilizamos o Canva, uma ferramenta de apoio para a criação de materiais visuais que facilitam a navegação”.

Para as educadoras, “a prática trouxe resultados expressivos como aumento da participação dos alunos em 40% em comparação com fóruns convencionais. Além disso, observou-se uma melhora significativa na qualidade das interações, com respostas mais elaboradas, reflexivas e contextualizadas”.

Segundo Lorena, “o Consórcio STHEM foi essencial para que essa proposta inovadora se concretizasse. As formações oferecidas pelo Consórcio proporcionaram uma base sólida para repensar práticas pedagógicas, estimulando o uso intencional de tecnologias educacionais com foco na personalização da aprendizagem e no protagonismo estudantil — princípios que orientaram todo o desenvolvimento do nosso projeto”.