
Projeto “Perfil clínico-epidemiológico de pacientes atendidos no Rios de Saúde em comunidades de Abaetetuba/PA
Os artigos completos de ações junto às comunidades, das instituições Grupo Afya (Itaperuna e Abaetetuba) e Centro Universitário Dom Pedro II receberam menções honrosas pela qualidade e os temas propostos durante o XII Fórum Internacional de Inovação Acadêmica do Consórcio STHEM.
O projeto “Impacto do tipo de secagem na composição volátil dos grãos de café conilon”, dos docentes Me.Diego Righi Benedicto e Me.Bruna da Silva Lopes Melo, do Grupo Afya – Centro Universitário de Itaperuna, teve como objetivo avaliar como diferentes métodos de secagem influenciam a composição volátil e a qualidade sensorial dos grãos de café conilon. “Trabalhamos com frutos da variedade Vitória, cultivados em Muqui, no Espírito Santo, e comparamos três formas de secagem: terreiro suspenso ao sol, secador de bandejas com ar a 35 °C e secador a lenha de fogo direto entre 50°C e 60°C. A proposta nasceu de uma necessidade prática do produtor entender como a etapa de secagem interfere no aroma, no sabor e na qualidade final da bebida”, contou Diego Benedicto.
Os resultados, segundo Diego Benedicto, “mostraram que o método de secagem interfere diretamente na qualidade do café. A secagem em temperatura mais elevada, entre 50°C e 60°C, apresentou o pior desempenho sensorial. Já o terreiro suspenso e o secador a 35°C apresentaram resultados próximos, com melhor preservação da qualidade da bebida”.
Na avaliação sensorial, Benedicto disse que “o terreiro suspenso alcançou 81,1 pontos, com classificação Fino, enquanto o secador a 35°C alcançou 79,96 pontos, com classificação Premium. O tratamento a 50°C a 60°C obteve 38 pontos e apresentou descritores negativos. Esses dados indicam que secagens mais lentas, com menor temperatura e maior controle, preservam melhor o perfil sensorial do café conilon”.
Para Benedicto a importância do Consórcio STHEM contribui para transformar uma pesquisa técnica em uma experiência de aprendizagem ativa, com participação, investigação, tomada de decisão e impacto junto à comunidade. “O projeto não ficou restrito ao laboratório. Ele dialogou com o produtor, com a cadeia produtiva do café e com a formação dos estudantes. Esse alinhamento entre ciência, prática e inovação acadêmica ajudou o projeto a se destacar e a ser contemplado com menção honrosa”, concluiu.
O projeto “Perfil clínico-epidemiológico de pacientes atendidos no Rios de Saúde em comunidades de Abaetetuba/PA”, da professora Maria Helena Cruz Rodrigues, do Grupo Afya de Ciências Médicas de Abaetetuba, nasceu da necessidade de compreender melhor o perfil de saúde de comunidades ribeirinhas, quilombolas e urbanas, em um contexto marcado por vulnerabilidades sociais, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, precariedade no saneamento básico e coexistência de doenças infectocontagiosas com doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão e diabetes. “A proposta integrou extensão universitária, vigilância participativa, pesquisa epidemiológica e ações educativas, aproximando a universidade das necessidades reais da população amazônica”, contou Maria Helena.
O estudo analisou uma base com 492 registros de atendimentos clínicos, exigindo limpeza, padronização e interpretação dos dados para identificar padrões clínicos e epidemiológicos da população atendida. Segundo Maria Helena, “os resultados demonstraram a presença de uma dupla carga de doenças nas comunidades atendidas: de um lado, condições infecciosas e ginecológicas mais frequentes em pessoas jovens; de outro, doenças crônicas não transmissíveis, especialmente hipertensão arterial associada à obesidade, mais presentes em adultos e idosos”.
Maria Helena acrescentou ainda que “o estudo também identificou três perfis clínicos principais: mulheres jovens com queixas ginecológicas/urinárias e menor prevalência de hipertensão; mulheres adultas com obesidade, hipertensão elevada e perfil cardiometabólico grave; e homens jovens com queixas gastrointestinais e risco cardiometabólico intermediário. Esses perfis ajudam a direcionar ações específicas de prevenção, rastreamento e cuidado”.
A participação no Consórcio STHEM, segundo Maria Helena, “foi fundamental para qualificar a experiência, pois contribuiu para transformar uma ação extensionista em uma produção acadêmica estruturada, com problema bem definido, metodologia clara, análise estatística consistente e resultados aplicáveis à realidade social”.
“Crescer com axé cuidando de si: partilha dos resultados de uma prática de ensino, pesquisa e extensão”, da docente Dra. Teresa Cristina Merhy Leal, do Centro Universitário Dom Pedro II (Unidompedro), nasceu de uma intervenção de impacto social desenvolvida no ciclo acadêmico de 2025, por discentes do 1º semestre do curso de Medicina. “A ação, integrada ao componente curricular Práticas Interdisciplinares de Extensão, Pesquisa e Ensino I, foi viabilizada por meio de uma parceria com o coordenador geral do Projeto Axé, Helmut Schned, responsável pela articulação institucional dos projetos e parcerias da ONG”, contou Teresa.
Fundada em 1990 pelo educador italiano Cesare de Florio La Rocca, Cesare dedicou sua vida a tirar crianças e adolescentes da extrema vulnerabilidade social por meio da arte-educação. A ONG Projeto Axé tem 35 anos de atuação na defesa dos direitos infantojuvenis, fundamentando sua prática na Pedagogia do Afeto e na Educação pela Arte. Segundo Teresa, “neste contexto o projeto Crescer com Axé: cuidando de si buscou transcender a assistência básica, utilizando a valorização da ancestralidade e da identidade afrobrasileira como vetores de emancipação, promoção da saúde socioemocional e fortalecimento da autoestima em contextos de vulnerabilidade social”.
Para Teresa, “o projeto, por meio de oficinas pedagógicas e dinâmicas, possibilitou aos estudantes de Medicina o contato direto com crianças em situação de vulnerabilidade social, ampliando a compreensão sobre o cuidado integral em saúde e sobre a influência dos determinantes sociais, culturais e históricos na vida das pessoas”.
A docente finalizou comentando a importância do Consórcio STHEM. “As boas práticas compartilhadas e reconhecidas nesse espaço, a exemplo da Menção Honrosa concedida ao projeto, evidenciam como o incentivo promovido pelo STHEM possibilita que docentes e estudantes ressignifiquem a sala de aula e os campos de prática como ambientes de investigação, diálogo, escuta ativa e construção coletiva do conhecimento”.
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