
Karina Nones Tomelim ministra palestra sobre Aprendizagem docente em foco
Na última quarta-feira (dia 12 de agosto), o Consórcio STHEM realizou mais uma aula do Módulo 1, Tema 3, do XIII Programa de Formação de Professores com a pedagoga, psicóloga, consultora educacional e co-Founder da B42, Karina Nones Tomelim, cujo tema da palestra foi “Aprendizagem docente em foco: inovação, acompanhamento e transformação institucional”.
“Trabalho com formação de professores há muito tempo e um longo tempo da minha jornada foi fazendo coisas parecidas com o que vocês, professores, fazem, coordenando núcleos de formação. Já fiz vários grupos desses em algumas universidades, e hoje eu atuo na formação de professores. Então, nos encontros como esse, e uma das coisas que tem me atravessado, nesse último ano, é pensar como que damos visibilidade ao aprender do professor”, disse Karina e alertou que “se fala muito pouco sobre o aprender visível do docente”.
E foi pensando sobre nisso, e sobre o que o MEC tem dado destaque – evidências de aprendizagem para o estudante – que Karina preparou uma formação pensando nisso. “Esse conceito, de aprendiz visível, é de John Hattie, e sou atravessada também pelas leituras de Paulo Freire sobre reflexões da própria prática, um pouco de neuroaprendizagem, e de War Dates, que são dados quentes, e estruturas libertadoras”, enfatizou.
Karina lembra que “a neuroaprendizagem estuda as funções cerebrais durante o aprendizado, baseia-se em pilares como atenção, engajamento ativo, feedback e consolidação, utiliza a neuroplasticidade para criar métodos de ensino mais eficazes e conecta emoção e razão para otimizar a memória de longo prazo. Já o War Dates refere-se aos marcos temporais oficiais (datas de início e término) estabelecidos por governos ou leis para definir juridicamente um período de conflito armado e remete ao desafio tradicional de memorizar cronologias e marcos históricos complexos — algo que frequentemente causa fadiga cognitiva se ensinado por mera decoreba. E a neuroaprendizagem une a neurociência e a educação para explicar como o cérebro processa, armazena e resgata informações”.
Para a educadora não basta saber o que cada linguagem significa mas praticar e multiplicar os conteúdos aprendidos. Em seguida, ela provocou os professores a pensar na seguinte questão: “Por que os professores têm tanta resistência a aprender ou a participar da formação de autodesenvolvimento?” e respondeu: “Tenho um mantra que costumo usar com os professores, que diz: quem não vive aprendendo não sobrevive ensinando”.
Por fim, Karina mostrou o exercício que faz ao entrevistar professores e trocar com eles suas histórias, o “Docência no Divã”, que o portal do Consórcio STHEM publica todo mês. “O desafio de quem está trabalhando na formação docente é manter a coerência e muitas vezes falta personalização. Hoje se fala tanto de personalização e hiperpersonalização com inteligência artificial, e como lidamos e identificamos os nossos professores que já são fluentes em inteligência artificial e têm influência no processo avaliativo, ou são expertises em processos pedagógicos. Dificilmente conseguimos fazer esse mapeamento. E aí todo mundo vai para a mesma formação, desconsiderando essa identidade própria das trajetórias e dos percursos individuais dentro do desenvolvimento de cada professor”.
Karina finalizou com exercícios práticos e deixou uma mensagem: “muitos docentes pensam que melhoram com a prática. Mas não é só praticar que nos melhora. A melhora é refletir sobre a própria prática. Por essa razão eu faço esse exercício convidando docentes para falar no Docência do Divã e trocar experiências. Às vezes o processo curativo é para quem está ouvindo o divã e não para quem está no divã”.








