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Há luz e valor no ensino superior

29/07/2022

Por Fábio Reis, presidente do Consórcio STHEM Brasil e diretor de Redes de Cooperação e Inovação do Semesp.

Escrevo o presente texto em São Luís do Maranhão, após participar da reunião do G7, uma das 19 Redes em que o Semesp é responsável pela fundação. O G7 é formado por 9 IES, de 6 Estados. Se contabilizarmos todas as instituições que participam das redes do Semesp, chegamos a 102 IES. Para maiores informações sobre o G7, acesse o site: https://www.g7edu.com.br/.

Estou no Centro Universitário Dom Bosco (UNDB), fundado em 2002, mas que tem sua origem em um colégio infantil fundado em 1958, por duas mulheres: Maria Izabel e Maria de Lourdes. Hoje, a instituição continua sob a direção de mulheres educadoras, compromissadas, empáticas e empreendedoras. O texto poderia ser sobre o G7, uma rede com gestores compromissados com o compartilhamento, mas o foco será o compromisso da UNDB com o ensino superior.

Escrevo para compartilhar uma experiência que me surpreendeu. Eu sabia que a UNDB valoriza e investe na qualidade de seus projetos acadêmicos. Penso que há no Brasil IES iguais ou melhores que a UNDB, isto é óbvio, mas estou na instituição e me sinto motivado a escrever sobre o que estou vivenciando. Por que do meu encantamento com a instituição?

O primeiro elemento que quero destacar é o estilo de liderança. Talvez a UNDB seja uma das poucas IES brasileiras que instituiu uma governança profissional e manteve uma gestão familiar. A Reitora, professora Ceres Murad é da segunda geração da família. Há outros parentes em diferentes funções. Ela é qualificada para exercer a gestão e conhece as melhores práticas pedagógicas. É especialista em aprendizagem e metodologias ativas. A Reitora e seu time tem um estilo de liderança assertivo, possui um plano acadêmico e administrativo bem definido, estimula a inovação e mantém um diálogo saudável com os demais líderes institucionais. A IES tem um grupo de pessoas compromissadas com o projeto institucional.

O segundo fator de encantamento se refere ao modelo acadêmico. A UNDB tem um propósito acadêmico bem definido. O foco do projeto institucional está na aprendizagem, nas metodologias ativas, bem desenhas e institucionalizadas, nos projetos sociais de impacto e na cooperação com o setor produtivo. Há uma clara intensão de priorizar o aprendizado do estudante. A instituição possui consistência conceitual em suas ações acadêmicas e vínculos com os empregadores públicos e privados. É interessante ouvir dos gestores que eles não “querem dormir em berço esplêndido”, por isso, a UNDB busca constante reflexão, avaliação e renovação em seu modelo acadêmico.

O cuidado e o investimento na capacitação do professor é o terceiro fator. O corpo docente da IES é estimulado e necessariamente passa por um processo de capacitação que insere o professor na perspectiva acadêmica da UNDB, ou seja, o docente é convidado a conhecer como o aluno aprende, a utilizar as metodologias ativas de forma correta, a dialogar com o estudante. Há um setor que planeja a capacitação semestral, que é continua e tem coerência com o modelo acadêmico.

Um quarto elemento que é preciso destacar é a perspectiva do grupo de pessoas envolvidas com o projeto. Não é a família que “manda em tudo”. Há times, há pessoas envolvidas, há capacitação das pessoas, há gente compromissada. Empoderar as pessoas é uma “estratégia poderosa”, que indica que gestão, inovação e sucesso institucional são ações coletivas.

Há outros elementos que poderiam ser destacados, como o investimento na infraestrutura, que possui um design coerente com a concepção inovadora da IES como os projetos de curricularização da extensão, que nasceram e existem em função de uma opção da IES e não de uma norma do MEC, os investimentos em tecnologia educativa e o desejo de conhecer as melhores práticas de ensino superior no Brasil e no mundo, para adaptar o que for necessário à identidade e ao propósito da UNDB.

IES como a UNDB demonstram que há luz no ensino superior do Brasil, que há famílias compromissadas com a educação e com os melhores parâmetros do ensino superior. O sistema de ensino superior no Brasil não pode ter sua organização e dinâmica pautada exclusivamente pela visão de negócio, que é conceito legítimo. Educação supõe compromisso com gente que pensa, que tem comportamento cidadão e ético, que sabe fazer, que produz, que gera emprego e conhecimento, que tem compromisso social, entre outras competências.

Não tenho dúvida de que há muitas IES no Brasil que representam luz, pois estão compromissadas com os melhores parâmetros do ensino superior. São instituições com histórias e perfis diferentes, mas que estão integradas pelo compromisso com a educação, em seus melhores parâmetros.

Um exemplo de compromisso com a qualidade está no projeto que o Semesp tem com 11 IES, para construir um modelo de autoavaliação que vai além dos parâmetros do MEC. É isso aí, 11 instituições que querem “subir a régua da qualidade”. Com certeza há outras que também desejam fazer isto.

De toda forma precisamos “descobrir as boas referências de ensino superior do Brasil”. Algo que conversamos durante a reunião do G7: visitamos várias IES no mundo, talvez seja o momento de começarmos a fazer uma internacionalização inversa e convidar os colegas de outros países a virem visitar as nossas “luzes do ensino superior”.

É preciso também que façamos missões internas, para que passemos a conhecer as IES nacionais que possuem bons modelos acadêmicos e administrativos. Há muitas IES brasileiras que merecem ser visitadas, pois dão valor ao que significa ensino superior. Eu, por exemplo, estou envolvido em um projeto de inovação na FAESA, de Vitória, Espírito Santo. A instituição também é luz no ensino superior e possui uma trajetória e projetos semelhantes ao da UNDB.

Um IES dará valor ao ensino superior e será valorizada pela sociedade se seu projeto acadêmico for consistente, se priorizar o aprendizado do estudante, se valorizar o professor, se tiver relevância social e se estiver sintonizada com os melhores parâmetros do ensino superior, independente do seu tamanho e de sua capacidade de investimento financeiro. Cada IES faz o que pode e o que está coerente com sua identidade, mas é preciso ter compromisso com o que há de melhor em nosso setor.

Faço o convite para que conheçam a UNDB, vale a pena viajar para São Luís do Maranhão e “descobrir está joia do nordeste brasileiro”, assim como vale a pena conhecer todas as IES que são luz em nosso sistema de ensino superior.

Fábio Reis

Fábio Reis

Presidente do STHEM Brasil

Diretor de Inovações e Redes de Cooperação do Semesp, Presidente do Consórcio STHEM Brasil, Diretor de Inovação Acadêmica da Unicesumar, Secretário Executivo da MetaRed Brasil, Professor do Unisal e Consultor da área de Inovação da Afya Educação. Desenvolve pesquisas sobre políticas públicas com o Professor António Rochette, do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra.

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